Venezuela busca se tornar grande produtora de petróleo com nova lei de hidrocarbonetos
Venezuela quer ser grande produtora de petróleo com nova lei

Venezuela almeja ampliar produção petrolífera com nova legislação

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, reafirmou em entrevista exclusiva que o país sul-americano tem como objetivo se consolidar como um dos maiores produtores mundiais de petróleo. Em declarações à emissora norte-americana NBC, a primeira concedida a um veículo de comunicação dos Estados Unidos, Rodríguez destacou que a Venezuela pretende superar sua atual posição de detentora das maiores reservas e alcançar patamares de produção comparáveis aos de potências como Estados Unidos e Arábia Saudita.

Nova lei não significa desnacionalização, garante governo

Questionada sobre se a nova legislação de hidrocarbonetos representaria um reconhecimento do fracasso das estatizações promovidas pelo chavismo nas últimas duas décadas, a presidente interina foi enfática em sua negativa. "O petróleo e o carvão continuam sendo propriedade do Estado venezuelano", afirmou Rodríguez, acrescentando que a Venezuela está estabelecendo novos modelos de gestão que permitem administrar tanto a produção quanto a comercialização de forma mais eficiente.

A nova norma, que atualiza regulações anteriores, tem como principais características:

  • Reabertura de espaço para participação do setor privado
  • Redução significativa da carga tributária
  • Criação de condições para atrair investimentos estrangeiros
  • Garantia de maior rentabilidade nos dividendos dos investimentos

Recursos serão destinados à reconstrução nacional

Rodríguez também garantiu que os recursos financeiros que Washington está transferindo a Caracas pela comercialização do petróleo venezuelano terão destinação específica e transparente. "Serão destinados prioritariamente à reconstrução do país e ao apoio direto à população", declarou a presidente interina, que destacou ainda a criação de dois fundos soberanos voltados para assegurar proteção social e investimentos em infraestrutura básica.

Revisão de contratos e resposta a acusações

Sobre as declarações do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que acusou governos chavistas de terem expropriado ativos de empresas petrolíferas dos Estados Unidos durante o processo de nacionalização, Rodríguez afirmou que há "muita desinformação" circulando sobre o tema. A líder venezuelana revelou que o governo está atualmente revisando contratos para esclarecer pendências financeiras históricas.

"Estamos revisando contratos e apurando quem deve a quem, quem deve à PDVSA e a quem a PDVSA deve", explicou Rodríguez, referindo-se à estatal Petróleos de Venezuela, que permanece como principal empresa do setor no país.

Contexto político e cooperação internacional

A entrevista concedida por Delcy Rodríguez coincidiu com a visita do secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, à Venezuela, em meio aos esforços de cooperação entre Washington e Caracas para revitalizar a indústria petrolífera nacional. Este movimento ocorre após a retirada do ex-presidente Nicolás Maduro do poder por forças norte-americanas no início de janeiro de 2026.

Desde a transição política, os Estados Unidos têm afirmado publicamente que estão acompanhando de perto o novo governo venezuelano com o objetivo declarado de garantir estabilidade política e econômica no país. A nova legislação de hidrocarbonetos representa um dos pilares desta estratégia de recuperação setorial.

Medidas complementares de anistia

Paralelamente às mudanças no setor petrolífero, o governo venezuelano anunciou que a Lei da Anistia em discussão no país deve incluir disposições específicas para:

  1. Incluir acusados de 'traição à pátria' em seu alcance
  2. Cancelar alertas internacionais da Interpol contra cidadãos venezuelanos
  3. Conceder clemência imediata a presos por participarem de protestos políticos
  4. Proteger aqueles que criticaram figuras públicas em exercício
  5. Devolver bens apreendidos de detidos políticos
  6. Permitir o retorno ao país de exilados políticos

Estas medidas, segundo analistas políticos, buscam criar um ambiente mais propício para a normalização institucional e a atração de investimentos internacionais, complementando as reformas econômicas em curso no setor energético.