Decisão histórica da Suprema Corte americana beneficia exportadores brasileiros
A Suprema Corte dos Estados Unidos tomou uma decisão que impacta diretamente as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, ao barrar o chamado tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump a importações de diversos países. A medida judicial isenta o equivalente a impressionantes US$ 21,6 bilhões em vendas externas brasileiras destinadas ao mercado americano, conforme cálculos realizados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Impacto imediato nas tarifas recíprocas
A decisão do tribunal americano atingiu principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que representavam o núcleo central da estratégia tarifária do governo Trump. Sobre alguns produtos brasileiros específicos, o presidente republicano havia imposto sobretaxas que variavam entre 10% e 40% – todas derrubadas pela Justiça dos Estados Unidos nesta sexta-feira. É importante destacar que outras tarifas em vigor, como as aplicadas sobre aço e alumínio, não foram afetadas pela decisão.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, comentou a decisão com cautela: "Acompanhamos a decisão de hoje com atenção e cautela. O impacto de uma medida como essa no comércio brasileiro é significativo, tendo em vista a relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos". Alban ressaltou ainda que a instituição seguirá monitorando os desdobramentos para avaliar com mais precisão os impactos para o Brasil.
Reação imediata de Trump e promessas de novas medidas
Donald Trump não perdeu tempo em responder à decisão judicial, classificando-a como "uma vergonha" em declarações à imprensa. O republicano informou que utilizará um novo instrumento legal para aplicar uma tarifa global de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato. Trump foi ainda mais enfático ao afirmar que possui "métodos ainda mais fortes" à sua disposição para impor novas tarifas comerciais.
"Outras saídas serão usadas", declarou o presidente americano, acrescentando que os Estados Unidos podem arrecadar "ainda mais dinheiro" através de medidas tarifárias alternativas. Esta postura agressiva sugere que a batalha comercial está longe de terminar, mesmo com a decisão favorável da Suprema Corte.
Efeitos concretos na balança comercial brasileira
Os números revelam o impacto significativo que o tarifaço já havia causado nas exportações brasileiras para os Estados Unidos:
- As exportações brasileiras para os EUA recuaram de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões em 2025
- Esta queda representa 6,6% ou US$ 2,65 bilhões em redução de vendas externas
- O déficit comercial do Brasil com os americanos cresceu expressivamente, somando US$ 7,53 bilhões no ano passado
- Este avanço representa quase 2.900% na comparação com 2024, quando o déficit foi de apenas US$ 253 milhões
Dados históricos do Ministério do Desenvolvimento mostram que o Brasil registra déficits comerciais consecutivos com os Estados Unidos desde 2009 – um período de 17 anos. O resultado negativo de 2025 foi o pior desde 2022, em um intervalo de apenas três anos.
Linha do tempo do tarifaço e suas exceções
A implementação do tarifaço pelo presidente Donald Trump seguiu uma trajetória gradual e cheia de nuances:
- Abril: Implementação inicial para todos os países, com taxação mais elevada para produtos como aço e alumínio
- Agosto: Anúncio de sobretaxa específica de 50% para o Brasil, acompanhada de extensa lista de exceções com mais de 700 itens, incluindo suco de laranja, aeronaves, petróleo e fertilizantes
- Novembro: Com a aproximação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os EUA retiraram do tarifaço outros produtos brasileiros como carne bovina, café, açaí e cacau
- Atualidade: Suprema Corte dos EUA derruba definitivamente as tarifas adicionais de 10% a 40% que ainda vigoravam para alguns produtos brasileiros
Esta decisão judicial representa um alívio significativo para os exportadores brasileiros, mas a reação imediata de Trump indica que a estabilidade comercial entre os dois países permanece incerta. A CNI e outras entidades do setor produtivo brasileiro continuarão monitorando atentamente os desdobramentos desta complexa relação comercial.