Petróleo vive sessão volátil com influência de tensões geopolíticas e medidas emergenciais
Após dois dias de intensa oscilação nos mercados globais, o preço do petróleo iniciou a sessão desta quarta-feira (11) em queda, reverteu a tendência e chegou a registrar uma alta expressiva de 5,87%, antes de recuar parcialmente, mas mantendo-se valorizado em relação ao fechamento do dia anterior. A volatilidade reflete o cenário de incertezas geopolíticas e respostas estratégicas de nações produtoras e consumidoras.
Brent tem pico de alta com ataques do Irã e depois ameniza com liberação de estoques
O barril Brent, referência mundial para o petróleo, começou o dia cotado a US$ 86,29 (R$ 445,21), representando uma queda de 1,72% no início das operações. Contudo, a divulgação de novos ataques do Irã a navios-petroleiros e ameaças a setores econômicos de Estados Unidos e Israel impulsionaram uma rápida valorização. Em seu ápice, o contrato de maio alcançou US$ 92,96 (R$ 479,63), uma alta de 5,87%.
Posteriormente, a informação de que Japão e Alemanha aceitaram liberar parte de seus estoques emergenciais de petróleo levou a uma redução no preço, que se estabilizou em US$ 91,60 (R$ 472,61), ainda representando uma valorização de 4,28%. O barril WTI (West Texas Intermediate), utilizado nos Estados Unidos, seguiu trajetória similar, com alta de até 6,5% antes de ajustar para 4,41%, cotado a US$ 87,13 (R$ 449,55).
Contexto de volatilidade após quedas históricas e disparadas recentes
Os movimentos desta quarta ocorrem após um dia de forte queda na terça-feira, quando o petróleo chegou a desabar 18% e fechou com desvalorização de 11,3%, a US$ 87,80, marcando a maior perda diária desde março de 2022. Na segunda-feira, o movimento foi oposto, com o valor do barril disparando 28% e alcançando US$ 119,46, antes de recuar e fechar a US$ 89,79. Essa sequência de altos e baixos evidencia a sensibilidade do mercado a eventos geopolíticos e medidas de emergência.
Liberação de estoques e impacto limitado na crise do petróleo
Na noite de terça-feira, o jornal The Wall Street Journal divulgou que a Agência Internacional de Energia (AIE) aceitou liberar cerca de 300 milhões de barris de petróleo para reestabelecer o fornecimento global, afetado pela paralisação do tráfego marítimo no estreito de Hormuz. Essa rota, que passa pelo litoral iraniano, é responsável por 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Embora a informação não tenha sido oficializada pela AIE, os ministros de Finanças da Alemanha e do Japão confirmaram horas depois que liberarão parte de suas reservas, sem especificar quantidades. Analistas do Goldman Sachs avaliaram que a liberação compensaria 12 dias da interrupção das exportações do Golfo, estimada em 15,4 milhões de barris diários. No entanto, especialistas como Suvro Sarkar, do DBS, mostraram ceticismo, afirmando que "movimentos como a liberação do SPR da AIE não são a solução para a crise. A evolução dos preços do petróleo dependerá da duração da guerra com o Irã".
Bolsas refletem oscilações do petróleo com desempenhos divergentes
A preocupação com o preço do petróleo impactou diretamente as negociações nas Bolsas de valores ao redor do mundo. De madrugada, quando o movimento era de queda no preço do barril, as principais Bolsas da Ásia fecharam em alta:
- Seul e Tóquio registraram ganhos de 1,4%
- O índice SSEC, em Xangai, subiu 0,25%
Porém, pela manhã, com a valorização do petróleo, as Bolsas da Europa passaram a cair significativamente:
- Índice Euro STOXX 600 em queda de 0,89%
- Frankfurt (-1,10%), Londres (-0,70%), Paris (-0,67%)
- Madri (-0,36%) e Milão (-0,87%) também desvalorizaram
Já nos Estados Unidos, as Bolsas subiam antes da abertura do mercado, com Dow Jones e S&P 500 em alta de 0,23%, e Nasdaq valorizando 0,19%. O ouro, por sua vez, registrava queda de 0,89%, cotado a US$ 5.195,50 (R$ 26,81 mil).
Cenário de incertezas com foco no Oriente Médio e indicadores econômicos
O dólar apresentou leve alta após uma sequência de quedas frente ao real, acompanhando a valorização global da moeda americana. Investidores continuam monitorando atentamente a alta do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio, além de indicadores econômicos divulgados no Brasil e no exterior. A possibilidade de os Estados Unidos escoltarem navios-tanque pelo estreito de Hormuz, mencionada repetidamente por autoridades, ainda não se concretizou, segundo fontes do mercado.
Este cenário volátil destaca como eventos geopolíticos e respostas estratégicas de governos continuam moldando os mercados globais de energia e finanças, com impactos diretos nos preços do petróleo e no desempenho das Bolsas mundiais.
