Nintendo processa governo Trump por tarifas ilegais e exige devolução de US$ 200 bilhões
Nintendo processa governo Trump por tarifas ilegais de US$ 200 bi

Nintendo of America entra com ação contra governo dos EUA por tarifas ilegais de Trump

A subsidiária americana da gigante japonesa de games, Nintendo of America, abriu um processo judicial contra o governo dos Estados Unidos exigindo a devolução, com juros, de mais de US$ 200 bilhões em tarifas consideradas ilegais impostas pelo ex-presidente Donald Trump em 2025. A ação foi protocolada no Tribunal de Comércio Internacional na última sexta-feira, 6 de março de 2026.

Decisão da Suprema Corte abre caminho para reembolso

O processo ocorre semanas após a Suprema Corte dos Estados Unidos decidir que Trump não poderia invocar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Nacional de 1977 para impor as tarifas sobre produtos importados. Em fevereiro de 2026, a corte suspendeu as taxas, considerando-as ilegais, o que permitiu que empresas afetadas buscassem restituição.

Na denúncia, os advogados da Nintendo citam explicitamente a decisão judicial para fundamentar o pedido de reembolso completo dos valores pagos durante a vigência das medidas comerciais. A empresa alega que as "medidas comerciais ilegais" da administração Trump resultaram na arrecadação abusiva de tarifas sobre importações de praticamente todos os países.

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Impacto direto no lançamento do Switch 2 e acessórios

As tarifas impostas por Trump em 2025, que chegaram a 125% sobre produtos chineses, afetaram diretamente a Nintendo, que fabrica seus consoles e acessórios em países como Vietnã e China. O cenário tributário hostil forçou a empresa a tomar medidas drásticas para proteger seus negócios.

O impacto mais visível foi no lançamento do Switch 2, o console mais recente da empresa. A Nintendo precisou adiar as pré-vendas do dispositivo "a fim de avaliar o impacto potencial das tarifas e as condições do mercado", conforme comunicado oficial da época. Após algumas semanas de atraso, o console foi lançado com o preço originalmente anunciado de US$ 449,99, mas a empresa teve que aumentar significativamente o valor dos acessórios devido ao novo cenário tributário.

De acordo com a agência Bloomberg, a Nintendo aproveitou a suspensão temporária das tarifas por 90 dias para transferir todas as suas unidades do Vietnã para os Estados Unidos, estratégia que permitiu manter o preço estipulado anteriormente para o console principal.

Réus incluem principais departamentos do governo americano

O processo da Nintendo lista como réus as principais agências governamentais responsáveis pela implementação das tarifas:

  • Departamento do Tesouro e seu secretário, Scott Bessent
  • Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos e seu comissário, Rodney Scott
  • Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos e seu chefe, Jamieson Greer
  • Departamento de Comércio e seu secretário, Howard Lutnick
  • Departamento de Segurança Interna e sua ex-secretária, Kristi Noem

A ação judicial representa mais um capítulo na batalha legal contra as políticas comerciais de Trump, com a Nintendo se unindo a aproximadamente 1.000 outras empresas que buscam restituição sobre as taxas implementadas pelo ex-presidente no ano passado.

Contexto político das tarifas de Trump

Inicialmente, Trump utilizou a legislação de emergência nacional de 1977 para aplicar as tarifas, sob a justificativa de "balancear" o comércio americano com o resto do mundo. Nos meses seguintes, Washington elevou progressivamente as alíquotas contra países considerados hostis, muitas vezes partindo de razões ideológicas mais do que econômicas.

A China foi um dos principais alvos da taxação agressiva, o que impactou diretamente empresas como a Nintendo que dependem da cadeia de produção asiática. O processo da gigante de games ocorre em um momento de intenso debate sobre os limites do poder executivo em matéria de política comercial internacional.

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