Gastos de brasileiros no exterior batem recorde em 11 anos, diz Banco Central
Gastos de brasileiros no exterior batem recorde em 11 anos

Gastos de brasileiros no exterior atingem maior nível em 11 anos, segundo Banco Central

Os gastos de brasileiros no exterior alcançaram a marca de US$ 21,7 bilhões no ano de 2025, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (26). Esse valor representa um crescimento significativo em relação ao ano anterior, quando as despesas somaram US$ 19,7 bilhões, evidenciando uma recuperação econômica e um aumento no poder de compra da população.

Recorde histórico e contexto econômico favorável

De acordo com a série histórica revisada do Banco Central, que tem início em 1995, este é o maior patamar desde 2014, ou seja, em 11 anos. O crescimento nos gastos de brasileiros no exterior em 2025 ocorreu em um cenário de aumento do nível de atividade econômica do país, com alta do Produto Interno Bruto (PIB) e da renda, além de uma queda expressiva na cotação do dólar.

No ano de 2025, houve uma forte desvalorização do dólar no mundo. No Brasil, a moeda norte-americana caiu 11,18% frente ao real, o maior recuo em quase 10 anos, desde 2016, quando a queda foi de 17,8%. Itens como passagens aéreas, despesas com hotéis e gastos com produtos e serviços no exterior, que são influenciados ou cotados em moeda estrangeira, tornaram-se mais acessíveis com a moeda americana em baixa, incentivando os consumidores brasileiros a gastarem mais.

Impacto do aumento do IOF sobre as despesas

Os gastos também subiram no ano passado apesar do aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) sobre câmbio, anunciado pelo governo em meados de maio, que encareceu a compra de moeda estrangeira. O IOF subiu para compra de moeda estrangeira em espécie, de 1,1% para 3,5%, assim como para remessas de recurso para conta de brasileiros no exterior.

Anteriormente, a compra de moeda em espécie e as remessas para contas no exterior eram utilizadas por viajantes para pagarem menos IOF do que no cartão de crédito, que tinha alíquota de 3,38%. Com a mudança, essa alíquota também avançou para 3,5%, equalizando os custos e refletindo uma medida fiscal do governo para aumentar a arrecadação.

Turismo estrangeiro no Brasil também bate recorde

Ao mesmo tempo, os números do Banco Central mostram um aumento nos gastos de estrangeiros com viagens no Brasil, que somaram US$ 7,8 bilhões no ano passado, batendo novo recorde. A série histórica da instituição tem início em 1995, e o recorde anterior havia sido registrado em 2024, quando as despesas de estrangeiros no país somaram US$ 7,34 bilhões.

De acordo com o Ministério do Turismo, o Brasil registrou 9,29 milhões de chegadas de turistas estrangeiros, o maior volume já observado na série histórica. Esse fluxo equivale a quase três mil voos internacionais desembarcando em território brasileiro no período, destacando o país como um destino turístico global atrativo.

O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, afirmou: "Alcançar esse recorde só foi possível graças a uma parceria sólida e consistente entre Ministério do Turismo, Embratur e o trade turístico. Trabalhamos de forma estratégica para mostrar ao mundo a diversidade, a hospitalidade e o potencial do Brasil como um dos grandes destinos turísticos globais".

Em resumo, os dados do Banco Central revelam um cenário econômico dinâmico, com brasileiros aproveitando a valorização do real para gastar mais no exterior, enquanto o Brasil atrai um número recorde de turistas estrangeiros, impulsionando a economia local e fortalecendo o setor de turismo.