Juros sobem em janeiro: cartão parcelado atinge 194,9% ao ano e inadimplência cresce
Juros sobem: cartão parcelado a 194,9% ao ano e inadimplência cresce

Juros médios sobem em janeiro: cartão parcelado atinge 194,9% ao ano e inadimplência cresce

Os juros médios para famílias e empresas continuaram em trajetória ascendente em janeiro deste ano, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (25). Para pessoas físicas, a taxa média alcançou 61% ao ano, registrando acréscimos de 0,9 ponto percentual (p.p.) no mês e de 6,7 p.p. em 12 meses, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito.

Cartão de crédito parcelado lidera altas

Um dos destaques é a elevação significativa da taxa das operações de cartão de crédito parcelado, que subiu 6,8 p.p. no mês e 17,7 p.p. em 12 meses, atingindo 194,9% ao ano. Após 30 dias de uso do crédito rotativo, as instituições financeiras parcelam a dívida seguindo essa modalidade de juros.

Contudo, a carteira de cartão de crédito rotativo ainda opera com os juros mais elevados do mercado. Apesar de um recuo de 13,7 p.p. no mês e 26,3 p.p. em 12 meses, a taxa do cartão rotativo ficou em 424,5% ao ano em janeiro. O crédito rotativo, que dura 30 dias, é acionado quando o consumidor paga menos que o valor integral da fatura, contraindo um empréstimo e iniciando o pagamento de juros sobre o saldo não quitado.

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Outras modalidades em alta para pessoas físicas

Em janeiro, outras operações para pessoas físicas também registraram aumentos: crédito pessoal não consignado (alta de 1,5 p.p.), financiamento para aquisição de veículos (1,3 p.p.) e crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado (1,2 p.p.).

Juros para empresas e crédito livre

No caso das empresas, a taxa média situou-se em 25,2% ao ano no fim de janeiro, com acréscimo de 1,6 p.p. no mês e 1,1 p.p. em 12 meses. Esse desempenho foi influenciado pelo aumento sazonal das taxas médias de desconto de duplicatas e outros recebíveis (0,9 p.p.) e por incrementos em modalidades como capital de giro com prazo superior a 365 dias (1,8 p.p.), cheque especial (25,9 p.p.) e cartão rotativo (63,9 p.p.).

Essas são taxas no crédito livre, onde os bancos têm autonomia para emprestar recursos captados no mercado e definir as taxas cobradas dos clientes. Já o crédito direcionado, com regras definidas pelo governo, é destinado a setores como habitacional, rural, de infraestrutura e microcrédito.

Crédito direcionado e taxa média geral

No crédito direcionado, a taxa média para pessoas físicas ficou em 11,2% ao ano, estável no mês e com redução de 0,1 p.p. em 12 meses. Para empresas, os juros subiram 0,8 p.p. no mês e caíram 0,7 p.p. em 12 meses, para 13% ao ano.

Considerando recursos livres e direcionados, a taxa média de juros das novas contratações de crédito chegou a 32,8% ao ano em janeiro de 2026, para famílias e empresas, com incremento de 0,7 p.p. no mês e 2,9 p.p. em 12 meses.

Ciclo de alta da Selic e spread bancário

A alta dos juros bancários acompanha o ciclo de elevação da taxa básica de juros da economia, a Selic, mantida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A Selic é o principal instrumento para controlar a inflação, visando esfriar a demanda e conter preços ao encarecer o crédito e estimular a poupança. A taxa básica está no maior nível desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% ao ano.

O spread bancário das novas contratações situou-se em 21,9 p.p., com acréscimo de 0,8 p.p. no mês e 3,5 p.p. em 12 meses. O spread representa a diferença entre o custo de captação dos recursos pelos bancos e as taxas médias cobradas dos clientes, cobrindo custos operacionais, riscos de inadimplência, impostos e resultando no lucro das instituições.

Saldo do crédito e concessões

Em janeiro, as concessões de crédito chegaram a R$ 651,5 bilhões, com aumento de 1,5% no mês, ajustado sazonalmente. Houve elevações de 2,2% nas operações com pessoas jurídicas e 1,6% com pessoas físicas. No acumulado em 12 meses até janeiro de 2026, as concessões nominais variaram 9,4%, sendo 9,7% para empresas e 9,1% para famílias.

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O estoque de todos os empréstimos concedidos pelos bancos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em R$ 7,115 trilhões, com redução de 0,2% em janeiro e alta de 10,1% em 12 meses. As carteiras para pessoas jurídicas e famílias fecharam com saldos de R$ 2,654 trilhões e R$ 4,460 trilhões, respectivamente.

O crédito ampliado ao setor não financeiro, que inclui empresas, famílias e governos de diversas fontes, alcançou R$ 20,812 trilhões, com recuo de 0,3% no mês, principalmente devido à redução de 3,4% nos saldos de empréstimos externos, impactados pela valorização de 4,95% do real. Na comparação interanual, o crédito ampliado cresceu 12,6%, com elevações na carteira de empréstimos do SFN (9,9%) e nos títulos públicos de dívida (19,1%).

Inadimplência e endividamento das famílias

A inadimplência, considerando atrasos acima de 90 dias, aumentou para 4,2% em janeiro. No segmento empresarial, o percentual foi de 2,6%, enquanto no crédito às famílias atingiu 5,2%.

O endividamento das famílias ficou em 49,7% em dezembro de 2025, com aumento de 1,3 p.p. no ano, calculado pela relação entre o saldo das dívidas e a renda familiar acumulada em 12 meses. Excluindo o financiamento imobiliário, que consome parte significativa da renda, o endividamento foi de 31,2% no último mês de 2025.

O comprometimento da renda, que relaciona o valor médio a ser pago em dívidas com a renda média, ficou em 29,2% em dezembro, com aumento de 1,7 p.p. no ano. Esses indicadores são apresentados com defasagem, pois o Banco Central utiliza dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do IBGE.