Ibovespa avança e retoma patamar dos 180 mil pontos em dia de otimismo nos mercados
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, registrou uma valorização de 0,30% nesta terça-feira, 17 de março de 2026, fechando a sessão em 180,4 mil pontos. Esse movimento positivo reflete o aumento do apetite ao risco nos mercados globais, que operaram com desempenho favorável impulsionado pela melhora nas perspectivas em relação à duração do conflito no Oriente Médio.
Declarações de Trump e eventos geopolíticos influenciam o cenário
O otimismo foi reforçado por declarações do presidente americano Donald Trump, que afirmou que as ações dos Estados Unidos na região durarão, no máximo, "mais algumas semanas". Além disso, a morte de figuras-chave no regime iraniano contribuiu para a redução das incertezas geopolíticas, favorecendo os investimentos em ativos de risco.
Desempenho misto entre os bancos e queda do dólar
Entre as ações de peso no índice da B3, os bancos operaram com desempenho negativo. O Santander (SANB11) teve baixa de 1,18%, seguido pelo Banco do Brasil (BBAS3), que recuou 0,96%. O Bradesco (BBDC4) caiu 0,79%, enquanto o Itaú (ITUB4) encerrou em desvalorização de 0,67%.
Por outro lado, o dólar encerrou o dia em queda, cotado a 5,19 reais. Segundo Bruno Botelho, chefe da mesa de câmbio e sócio da ONE Investimentos, "No curto prazo, o real segue bem sustentado por fluxo estrangeiro e diferencial de juros, mas ainda muito dependente do cenário internacional".
Fatores externos e movimentação do real
O especialista explica que a moeda americana perdeu força no exterior, com o índice DXY em leve queda e os títulos do Tesouro americano (Treasuries) mais acomodados, o que abre espaço para correção nas moedas emergentes. O real se movimentou junto ao fator petróleo, com o preço da commodity voltando a subir devido às incertezas em torno do Estreito de Ormuz.
"Isso melhora o fluxo para o Brasil, tanto pelo lado comercial quanto por entrada em equities ligadas a energia", comenta Botelho, destacando os benefícios para a economia nacional.
Foco total na Superquarta com decisões monetárias no Brasil e EUA
Agora, a atenção do mercado está totalmente voltada para a chamada "Superquarta", que ocorrerá amanhã, dia 18 de março. Nessa data, tanto o Brasil quanto os Estados Unidos farão decisões e darão comunicados sobre suas respectivas políticas monetárias, com impactos significativos para os investidores.
Expectativas para a Selic e o Federal Reserve
No cenário doméstico, o mercado estima um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, a taxa básica de juros do Brasil. Essa medida é aguardada com expectativa, pois pode influenciar diretamente os custos de crédito e os investimentos no país.
Do lado internacional, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, representa o principal risco. Mais do que a decisão em si sobre os juros, o tom adotado por Jerome Powell, presidente da autoridade monetária, será crucial para definir as perspectivas da economia americana em meio ao contexto de guerra e incertezas globais.
Implicações para os investidores e a economia
Os investidores aguardam cautelosamente os comunicados, pois as decisões tomadas nesta Superquarta podem:
- Influenciar a trajetória do Ibovespa e de outras bolsas ao redor do mundo.
- Afetar a cotação do dólar e outras moedas emergentes, como o real.
- Definir o ritmo de crescimento econômico e a inflação nos próximos meses.
- Impactar setores específicos, como o bancário e o de energia.
Com um cenário de otimismo moderado, mas ainda cercado de cautela, o mercado financeiro se prepara para um dia decisivo que pode moldar as tendências econômicas no curto e médio prazo.
