O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, fechou em um novo recorde histórico de pontos nesta quinta-feira (22), marcando o terceiro dia consecutivo de máximas inéditas. O movimento atípico, que começou na terça-feira com a marca de 166 mil pontos, continuou com força total, culminando em uma alta expressiva de 2,2% que levou o indicador aos impressionantes 175 mil pontos.
Clima de otimismo global impulsiona alta
Os economistas e analistas de mercado estão diante de um cenário incomum, com o Ibovespa quebrando recordes sucessivos em um curto espaço de tempo. Segundo especialistas, há um clima de otimismo generalizado nos mercados internacionais, com altas também registradas nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia.
Um dos fatores que contribuíram para essa melhora no ânimo dos investidores foi a diminuição da pressão geopolítica envolvendo a Groenlândia. Com o presidente dos Estados Unidos amenizando o discurso em relação ao território, o risco geopolítico reduziu significativamente, criando um ambiente mais favorável para aplicações de maior risco.
Investimento estrangeiro em alta histórica
Na bolsa brasileira, onde são negociadas ações de 413 empresas diferentes, o volume de negócios dos últimos dias revela que os investidores estão enxergando oportunidades valiosas no mercado nacional. Entre esses compradores, destaca-se a participação crescente de investidores internacionais.
Somente nos primeiros 20 dias de 2025, os estrangeiros já injetaram mais de R$ 8 bilhões em ações brasileiras. Esse valor representa quase um terço de todo o capital que foi aplicado durante todo o ano de 2025, marcando uma reversão completa em relação a 2024, quando o saldo ficou negativo.
Economistas analisam o movimento do mercado
Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, explica que quando o ambiente geopolítico melhora, o apetite por risco aumenta naturalmente. "O capital começa a procurar alternativas e investimentos que tenham risco maior e volatilidade mais elevada, como o mercado acionário e as ações de empresas, mas cujo potencial de retorno também é maior", comenta o especialista. "É nesse contexto que a bolsa brasileira tem se destacado recentemente".
Rodrigo Marcatti, economista da Veedha Investimento, acrescenta que vários países e bancos centrais têm retirado recursos do título do Tesouro americano para direcioná-los a outros ativos, incluindo o ouro como medida de proteção inicial. "O dólar, nesse momento, perde um pouco da atratividade. E a bolsa, que se encontrava em patamar muito descontado e barato, está começando um processo de correção", afirma Marcatti.
Impacto no câmbio e perspectivas futuras
Paralelamente ao desempenho excepcional do Ibovespa, o dólar comercial registrou queda significativa nesta quinta-feira (22), fechando a R$ 5,28. Essa movimentação cambial reforça o cenário de fortalecimento da economia brasileira perante o mercado internacional.
Os analistas seguem monitorando de perto essa sequência histórica de recordes, avaliando se o movimento de alta terá continuidade nas próximas sessões. O volume expressivo de investimento estrangeiro e o ambiente global favorável sugerem que o otimismo pode se manter, embora especialistas recomendem cautela diante da volatilidade natural dos mercados financeiros.