Ibovespa fecha em baixa com incerteza global: payroll fraco e guerra no Oriente Médio pressionam
Ibovespa cai com incerteza global: payroll fraco e guerra pressionam

Ibovespa fecha em baixa com incerteza global: payroll fraco e guerra no Oriente Médio pressionam

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), registrou uma queda de 0,61% nesta sexta-feira, 6 de março de 2026, recuando para os 179,3 mil pontos. O dólar, por sua vez, encerrou o dia em baixa, cotado a 5,24 reais, em um cenário marcado por elevada incerteza global.

Conflito no Oriente Médio e alta do petróleo geram aversão ao risco

Na semana, os índices de moedas e ações foram significativamente impactados pelo conflito bélico entre Estados Unidos, Israel e Irã. Este confronto aumentou a aversão ao risco entre os investidores globais, que buscaram ativos de proteção. O mercado internacional permanece atento aos desdobramentos da guerra, que é responsável pela alta expressiva do petróleo.

O preço do barril de petróleo Brent disparou 8,61% no fim do pregão de hoje, ficando cotado a 92,76 dólares. Esta elevação nas cotações amplia as preocupações com os possíveis impactos inflacionários em escala global, já que o petróleo é um insumo crucial para diversas cadeias produtivas.

Payroll fraco nos EUA reabre espaço para cortes de juros, mas incertezas persistem

Somado ao cenário geopolítico tenso, o payroll, relatório oficial de emprego dos Estados Unidos, foi divulgado nesta manhã. Em fevereiro, 92 mil postos de trabalho foram fechados no país, frustrando as expectativas dos economistas consultados pela Reuters, que projetavam a abertura de cerca de 55 mil vagas.

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o número mais fraco e as revisões negativas do relatório podem contribuir para reabrir espaço para cortes de juros nos EUA, especialmente após uma semana em que o mercado havia reduzido significativamente essas apostas. “Ainda assim, o cenário permanece marcado por elevada incerteza devido à escalada do conflito envolvendo o Irã, com potencial impacto sobre os preços de energia e a inflação global”, afirma o analista.

Cenário doméstico: Petrobras com lucro robusto e bancos em queda

No âmbito doméstico, a agenda econômica contou com o balanço da Petrobras (PETR4), que registrou um lucro líquido impressionante de 110 bilhões de reais em 2025. O conselho de administração da petroleira também aprovou a distribuição de 8,1 bilhões de reais em dividendos e juros sobre capital próprio referentes ao quarto trimestre de 2025. Em resposta, as ações da companhia subiram 3,49%.

Entretanto, entre as demais ações de peso no principal índice da B3, os bancos tiveram desempenho negativo:

  • Santander (SANB11): queda de 2,51%
  • Bradesco (BBDC4): recuo de 1,41%
  • Itaú (ITUB4): queda de 1,33%
  • Banco do Brasil (BBAS3): baixa de 1%

Este movimento reflete a cautela dos investidores diante de um ambiente macroeconômico complexo, onde fatores externos, como a guerra e a política monetária internacional, exercem forte pressão sobre os mercados financeiros brasileiros.