Entenda os fatores que influenciam a alta ou queda do dólar no mercado
Fatores que influenciam a alta ou queda do dólar

Entenda os fatores que influenciam a alta ou queda do dólar no mercado

O dólar iniciou a sessão desta segunda-feira, 26 de janeiro, com os olhos voltados para o cenário interno e externo, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h. A última semana de janeiro concentra a atenção em decisões cruciais de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, além de movimentos políticos internacionais que podem impactar os mercados e gerar cautela entre os investidores.

Cenário interno: foco no Banco Central e Copom

No Brasil, o Banco Central divulgou nesta segunda-feira as projeções de economistas para o boletim Focus, um indicador importante para as expectativas do mercado. Já na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a taxa de juros sem alterações, em linha com as previsões do mercado financeiro. Essa estabilidade nas taxas pode influenciar a trajetória do dólar, dependendo de como os investidores interpretam os sinais de controle inflacionário e crescimento econômico.

Cenário externo: incertezas nos EUA e tensões geopolíticas

Nos Estados Unidos, cresce a expectativa em torno da escolha do novo presidente do Federal Reserve (Fed). Fontes indicam que o presidente Donald Trump pode sinalizar nesta semana o nome do sucessor de Jerome Powell, levantando questionamentos sobre a autonomia do banco central americano. Além disso, Trump voltou a ameaçar impor tarifas de 100% ao Canadá caso o país avance em um acordo comercial com a China. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que o país não busca fechar esse tipo de acordo, gerando incerteza entre investidores e aversão ao risco.

As incertezas aumentam com a possibilidade de uma nova paralisação do governo americano, diante da resistência de democratas em votar o Orçamento sem mudanças na área de segurança, após o assassinato de Alex Pretti por agentes federais. Esses fatores contribuem para um ambiente volátil, que pode pressionar o dólar para cima ou para baixo, dependendo dos desdobramentos.

Performance do Ibovespa e movimentos de mercado

Em meio ao movimento conhecido como sell America, o Ibovespa fechou a sexta-feira em alta de 1,86%, aos 178.858,54 pontos, renovando o recorde histórico e superando os 178 mil pela primeira vez. Na máxima da sessão, o índice atingiu 180.532,28 pontos, ultrapassando pela primeira vez os 180 mil e marcando a nova máxima histórica intradiária. Isso reflete um otimismo cauteloso no mercado brasileiro, apesar das turbulências externas.

Dólar: Acumulado da semana: -1,60%; Acumulado do mês: -3,68%; Acumulado do ano: -3,68%.

Ibovespa: Acumulado da semana: +8,53%; Acumulado do mês: +11,01%; Acumulado do ano: +11,01%.

Redução nas tensões geopolíticas: acordo sobre a Groenlândia

Os embates entre os EUA e a União Europeia a respeito dos planos americanos de anexação da Groenlândia ganharam um novo capítulo nesta semana. Na véspera, o presidente Donald Trump afirmou que obteve garantias de acesso total e permanente dos EUA à Groenlândia a partir de um acordo ainda em negociação. A declaração veio após o republicano recuar das ameaças de impor tarifas à Europa e descartar o uso da força para assumir o controle da ilha, o que trouxe alívio aos mercados e reduziu, momentaneamente, a tensão entre Washington e seus aliados.

A mudança de tom foi bem recebida pelas bolsas europeias e ajudou os principais índices de Wall Street a retornar a níveis recordes. Ainda assim, autoridades europeias avaliam que os danos à confiança política e econômica podem ser duradouros. Para a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, as relações com os EUA sofreram um grande golpe nos últimos dias. Os líderes europeus acreditam que Trump recuou em parte porque, ao contrário da sua postura mais conciliadora nas negociações tarifárias do ano passado, desta vez deixaram claro que ele estava ultrapassando um limite ao desafiar a soberania da Groenlândia.

Os termos do acordo seguem indefinidos. Em entrevista à Fox Business, no entanto, Trump afirmou que o acordo garantiria acesso total aos EUA e seria muito mais generoso para o país. De acordo com a Reuters, Trump e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, concordaram em iniciar novas negociações entre EUA, Dinamarca e Groenlândia para atualizar o acordo de 1951, que regula a presença militar americana na ilha. A proposta incluiria restrições a investimentos chineses e russos na região.

Negociações trilaterais e impacto nos mercados

O início da primeira parte das negociações entre EUA, Rússia e Ucrânia também ajudou a reduzir os riscos geopolíticos no mercado. Esta é a primeira vez desde o início da guerra que os três países se sentam juntos para negociar a paz. Com Trump, os EUA assumiram o papel de único país capaz de buscar o fim do conflito. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta sexta a jornalistas que os negociadores discutirão o controle territorial da região de Donbas, no leste da Ucrânia.

Ainda não se sabe todos os detalhes das negociações em Abu Dhabi, apenas que ela não envolve, em um primeiro momento, os líderes dos três países. O líder da delegação russa será o almirante Igor Kostyukov, e não o assessor do Kremlin Yuri Ushakov, principal negociador russo. A Ucrânia enviou seus principais negociadores, uma combinação de civis, diplomatas e autoridades de segurança. A delegação dos EUA é liderada pelo enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, com um novo elemento sendo o assessor da Casa Branca Josh Gruenbaum.

Desempenho das bolsas globais

Em Wall Street, os mercados fecharam a sessão desta sexta-feira sem direção única. Ao final da sessão, o Dow Jones Industrial Average caiu 0,58%, enquanto o S&P 500 avançou 0,02%. O Nasdaq Composite, por sua vez, avançou 0,28%. Na Europa, os mercados caíram enquanto investidores avaliavam acontecimentos do Fórum Econômico Mundial em Davos. Além disso, nesta sexta-feira, EUA, Ucrânia e Rússia iniciaram a primeira rodada de negociações trilaterais sobre o conflito ucraniano.

No fechamento, o índice europeu STOXX 600 caiu 0,1%, acumulando queda de 1,1% na semana e interrompendo uma sequência de cinco semanas de altas. Entre as bolsas nacionais, Londres recuou 0,07%, Paris perdeu 0,07%, Milão caiu 0,58%, Madri registrou baixa de 0,67% e Lisboa teve queda de 0,54%. Frankfurt foi a única exceção do dia, com avanço de 0,18%.

Na Ásia, as bolsas encerraram o dia com resultados variados, após uma semana marcada pelo aumento das ações regulatórias na China. As autoridades chinesas intensificaram medidas contra práticas consideradas irregulares, como manipulação de preços e informações enganosas, com o objetivo de conter negociações especulativas. Os principais índices do continente terminaram o pregão com movimentos mistos. Em Xangai, o SSEC subiu 0,33%, enquanto o CSI300 caiu 0,45%. O Hang Seng, em Hong Kong, avançou 0,45%. Em outros mercados, o Nikkei, de Tóquio, subiu 0,4%; o KOSPI, de Seul, aumentou 0,76%; o TAIEX, de Taiwan, ganhou 0,68%; e o Straits Times, de Cingapura, avançou 1,26%.

Com informações da agência de notícias Reuters, o cenário financeiro global permanece em alerta, com o dólar e o Ibovespa refletindo as complexas interações entre política monetária, geopolítica e expectativas de mercado.