Mercado financeiro inicia fevereiro com atenção redobrada
O dólar deu início à primeira sessão de fevereiro com uma leve alta de 0,06%, sendo cotado a R$ 5,2505 na abertura desta segunda-feira, dia 2. Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, prepara-se para abrir às 10 horas, com os investidores atentos a uma agenda repleta de indicadores econômicos e eventos políticos tanto no Brasil quanto no exterior.
Agenda econômica e política em destaque
As atenções do mercado se dividem entre projeções de inflação, dados da atividade industrial e a retomada dos trabalhos no Congresso Nacional. No Brasil, o dia começou com a divulgação do boletim Focus, onde economistas consultados pelo Banco Central reduziram a projeção de inflação para 2026, de 4% para 3,99%, mantendo a estimativa para 2027 estável em 3,80%.
No campo político, o Congresso Nacional realiza uma sessão solene para a abertura do ano legislativo, reunindo deputados e senadores no Plenário Ulysses Guimarães, na Câmara dos Deputados. A primeira sessão de votações de 2026 está marcada, com duas medidas provisórias na pauta: a MP 1.313/25, que institui o Programa Gás do Povo, e a MP 1.312/25, que abre crédito extraordinário de R$ 83,5 milhões para o setor rural.
Cenário internacional e indicadores
Nos Estados Unidos, os investidores acompanham a divulgação do PMI da indústria, um indicador crucial que serve como termômetro da atividade econômica e pode influenciar o humor dos mercados ao longo do dia. Em relação aos acumulados, o dólar apresenta queda de 0,74% na semana, 4,39% no mês e 4,39% no ano, enquanto o Ibovespa registra alta de 1,40% na semana, 12,56% no mês e 12,56% no ano.
Mudanças no Federal Reserve e impacto global
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a indicação do economista Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve, substituindo Jerome Powell, cujo mandato termina em maio. A nomeação ainda precisa ser aprovada pelo Senado e ocorre após meses de atritos entre Trump e Powell sobre as taxas de juros, com o presidente defendendo cortes mais rápidos para estimular a economia.
Warsh, pesquisador visitante no Instituto Hoover e professor da Universidade Stanford, é visto como um defensor de taxas de juros mais baixas, mas também como uma opção menos radical. Segundo Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP, o anúncio foi bem recebido pelo mercado, pois Warsh é considerado um nome mais técnico, reduzindo o risco institucional sobre o Fed.
Desemprego no Brasil em queda histórica
A taxa média de desemprego no Brasil caiu para 5,6% em 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012, segundo dados do IBGE. O índice recuou 1 ponto percentual em relação a 2024, com a população desocupada somando 6,2 milhões de pessoas, uma queda de 14,5%. A população ocupada atingiu um recorde de 103 milhões, e o nível de ocupação chegou a 59,1%, também o maior da série.
Economistas avaliam que o mercado de trabalho forte ajuda a sustentar a economia, mas dificulta o controle da inflação, especialmente em serviços. A expectativa é de uma alta gradual do desemprego em 2026, sem deterioração relevante do cenário.
Bolsas globais e tendências
A escolha do novo presidente do Fed também impactou os mercados internacionais. Nos EUA, os principais índices de Wall Street fecharam em queda, com o Nasdaq Composite recuando 0,94%, o Dow Jones 0,36% e o S&P 500 0,42%. Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 encerrou em alta, marcando sua maior sequência mensal de ganhos desde 2021, com destaque para o FTSE 100 de Londres e o DAX da Alemanha.
Na Ásia, as bolsas recuaram, com o índice Hang Seng de Hong Kong caindo mais de 2% e o de Xangai fechando em baixa próxima de 1%. O cenário global continua volátil, com o dólar operando acima de R$ 6,00 em momentos recentes, influenciado pelo acirramento da guerra comercial entre EUA e China.