O mercado financeiro brasileiro apresentou movimentos divergentes nesta quarta-feira (18), com o dólar registrando valorização e a Bolsa de Valores enfrentando pressões significativas, especialmente sobre as ações da Vale. Após o fim de semana prolongado do Carnaval, os investidores retomaram suas atividades analisando os desdobramentos da última reunião do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, e os resultados corporativos recentes.
Comportamento das principais variáveis
A moeda norte-americana encerrou o pregão com uma alta de 0,25%, sendo cotada a R$ 5,242. Esse movimento ocorreu enquanto o mercado digeria as informações contidas na ata do Fed, que revelou divisões internas no colegiado de política monetária, mas um consenso pela pausa nos cortes de juros, condicionada ao comportamento da inflação.
Por outro lado, o Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, fechou em queda de 0,24%, aos 186.015 pontos, conforme dados preliminares. A performance negativa foi impulsionada em grande parte pela forte desvalorização das ações da Vale, que recuaram expressivos 3,71% no dia.
Impacto dos resultados da Vale
A pressão sobre a mineradora reflete a divulgação, na última quinta-feira (12), de que seu lucro líquido caiu 56% em 2025, totalizando R$ 13,8 bilhões. Segundo a companhia, esse resultado foi influenciado pelo aumento de provisões no final do ano e por questões contábeis específicas. A situação se mostrou ainda mais desafiadora no quarto trimestre, quando a Vale registrou um prejuízo substancial de R$ 21 bilhões.
Contexto internacional e expectativas
A ata do Federal Reserve indicou que, embora houvesse divergências durante a reunião, prevaleceu a visão de que novos ajustes para baixo na taxa de juros seriam apropriados apenas se a inflação recuasse de acordo com as expectativas. "Muitos participantes avaliaram que novos ajustes para baixo na faixa-alvo da taxa provavelmente seriam apropriados se a inflação recuasse em linha com suas expectativas", destacou o documento oficial.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, os índices acionários avançavam na manhã desta quarta, com destaque para o setor de tecnologia, que recuperava parte dos ganhos após um período de fraqueza. Wall Street tem enfrentado volatilidade neste mês devido a temores de que o rápido avanço das ferramentas de inteligência artificial possa desestabilizar modelos de negócios tradicionais, provocando vendas em diversos setores, desde software até transporte rodoviário.
Análise dos especialistas
Sam Stovall, estrategista-chefe da CFRA, comentou sobre a situação: "Não vimos realmente uma correção significativa, apenas muita volatilidade diária, o que indica que o mercado está mais em um ponto de inflexão, esperando algum catalisador positivo ou negativo para direcioná-lo". Essa percepção reflete a cautela dos investidores, que passaram a exigir evidências mais concretas de que os pesados investimentos em tecnologia estão, de fato, gerando receitas e lucros consistentes.
Desempenho anterior ao Carnaval
Na sexta-feira anterior ao feriado de Carnaval, o dólar já havia avançado 0,57%, cotado a R$ 5,229, enquanto a Bolsa brasileira recuou 0,69%, fechando a 186.464 pontos. Na ocasião, os investidores repercutiram os dados de inflação dos Estados Unidos, medidos pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI).
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, analisou: "Os mercados operaram mistos na sexta, mas em um tom predominantemente negativo, impulsionado pela reação ao CPI de janeiro nos EUA, que, apesar de benigno, não freou a rotação setorial contra tech e commodities". O relatório apontou que os preços ao consumidor subiram 0,2% no mês passado, abaixo da expectativa de 0,3%, e registraram alta de 2,4% nos 12 meses até janeiro.
A desaceleração na taxa de inflação anual, que estava em 2,7% em dezembro, refletiu principalmente a saída do cálculo dos valores mais altos observados no ano anterior, oferecendo algum alívio, mas sem eliminar completamente as preocupações do mercado.