Dólar fecha em alta de 1,04% após indicação de Warsh ao Fed, mas acumula queda mensal de 4,40%
Dólar sobe 1,04% com Warsh no Fed, mas cai 4,40% em janeiro

Dólar apresenta alta firme após indicação de Warsh ao Federal Reserve

O dólar encerrou a sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, com uma valorização significativa de 1,04%, fechando a R$ 5,2476. A alta foi impulsionada principalmente pela indicação de Kevin Warsh à presidência do Federal Reserve (Fed), anunciada pelo ex-presidente Donald Trump em sua rede social Truth Social. Operadores do mercado financeiro destacam que a nomeação ajudou a mitigar os temores de uma ingerência política excessiva na política monetária dos Estados Unidos, promovendo um ajuste após excessos recentes.

Queda mensal histórica e desempenho semanal

Apesar da forte valorização nesta sexta-feira, o dólar acumulou uma queda de 4,40% em janeiro, marcando a maior desvalorização mensal desde junho de 2025, quando recuou 4,99%. Na semana, a moeda americana também apresentou desempenho negativo, com um recuo de 0,73%. Em dezembro, por outro lado, o dólar havia subido 2,89%, influenciado pelo aumento de remessas ao exterior e pelo avanço de ruídos políticos domésticos.

Durante o pregão, a moeda atingiu uma máxima de R$ 5,2785, refletindo a volatilidade do dia. Analistas observam que o movimento de correção foi amplo, afetando especialmente commodities metálicas e moedas emergentes. O ouro e a prata, por exemplo, que haviam subido em uma onda especulativa, registraram quedas de mais de dois dígitos.

Impacto da indicação de Warsh e perspectivas para o real

Kevin Warsh, ex-diretor do Fed entre 2006 e 2011 e professor na Stanford Graduate School of Business, foi indicado por Trump para assumir a presidência do banco central americano. Marcos Weigt, diretor da Tesouraria do Travelex Bank, afirma que a escolha de Warsh atuou como um gatilho para uma reprecificação de ativos, corrigindo exageros observados nas últimas semanas.

"Tudo o que subiu muito recentemente está sofrendo uma realização forte hoje. Ouro, prata e moedas emergentes têm quedas fortes", destaca Weigt. No entanto, ele ressalta que os fundamentos não mudaram e que os investidores continuarão a buscar ativos fora do dólar, como ouro, bolsas e moedas emergentes.

Para Weigt, o real tende a se apreciar nos próximos meses, mesmo com o início de um ciclo de corte de juros pelo Banco Central, previsto para março. "Para o real sentir a queda de juros, a taxa Selic teria que ir para 11% ou menos. E a questão eleitoral não deve ter grande influência no mercado até abril", avalia o tesoureiro.

Análises de especialistas sobre a nomeação

Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, observa que Warsh era "visto como um hawk" durante seu mandato anterior, defendendo uma política monetária mais restritiva. Porém, recentemente, ele passou a adotar uma postura mais alinhada com Trump, "passando a defender a queda dos juros". O desafio do novo presidente do Fed, segundo Olivares, será equilibrar a pressão por afrouxamento monetário com a visão atual da maioria dos dirigentes do Fed, contrária a novas reduções de juros no momento.

Fernando Fenolio, sócio e economista-chefe da WHG, acredita que a escolha de Warsh pode eliminar "um risco de cauda relevante – o receio de que o Fed pudesse, de fato, perder sua independência". Em nota, Fenolio ressalta que Warsh tem legitimidade para conduzir o comitê de política monetária, reduzindo o risco de uma "rebelião interna". Ele considera "perfeitamente possível" que ocorram dois ou três cortes de juros nos EUA no segundo semestre, sem a aparência de uma intervenção excessivamente politizada.

Contexto internacional e indicadores econômicos

No cenário global, moedas emergentes, especialmente as latino-americanas e o rand sul-africano, foram as mais castigadas. O índice DXY (Dollar Index), que mede o comportamento do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, subia cerca de 0,70% no fim da tarde, próximo dos 97,000 pontos, após atingir máxima de 97,102 pontos. Em janeiro, o DXY recuou mais de 1,30%.

Entre os indicadores econômicos divulgados nesta sexta-feira, destaque para o índice de preços ao produtor (PPI) e seu núcleo nos EUA em dezembro, que superaram as expectativas dos analistas. Ferramentas de monitoramento do CME Group mostram que as apostas majoritárias indicam um corte dos Fed Funds em junho, refletindo as expectativas do mercado em relação à política monetária americana.