Dólar atinge menor valor desde maio de 2024 e Bolsa bate recorde histórico
Dólar no menor valor desde maio de 2024; Bolsa bate recorde

Dólar atinge menor valor desde maio de 2024 e Bolsa bate recorde histórico

O mercado financeiro brasileiro viveu um dia marcante nesta terça-feira, 27 de agosto, com o dólar comercial fechando no menor valor desde 28 de maio de 2024 e a Bolsa de Valores de São Paulo batendo um novo recorde histórico. A combinação de fatores econômicos, incluindo uma desaceleração na inflação e um fluxo robusto de capital estrangeiro, criou um cenário otimista para investidores e analistas.

Inflação e expectativas de juros impulsionam o mercado

A prévia da inflação divulgada nesta terça-feira mostrou uma pequena desaceleração nos preços, o que foi interpretado pelo mercado como um sinal positivo para possíveis cortes nas taxas de juros no futuro. Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, explica que essa perspectiva animou os investidores. "Esses recordes que vêm acontecendo na bolsa, e principalmente hoje, foram motivados também por essa inflação menor, porque isso abre uma expectativa de uma taxa de juros menor", afirma.

Agostini destaca que, com juros mais baixos, o mercado se entusiasma com os resultados das empresas projetados para 2026, já que um mercado de consumo aquecido tende a beneficiar setores como serviços, varejo e bancos. "O consumo doméstico tende a aumentar", complementa o economista, reforçando o otimismo em torno da economia brasileira.

Bolsa de Valores atinge novo pico e dólar enfraquece

O Ibovespa, índice da Bolsa de Valores de São Paulo, fechou com uma alta impressionante de quase 2%, alcançando a marca de 181 mil pontos. Em um ano, a bolsa acumula uma valorização de 45%, refletindo um ambiente inundado por capital estrangeiro em busca de alternativas ao dólar, que tem se mostrado fragilizado globalmente.

O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,20, o menor valor desde 28 de maio de 2024, quando estava em R$ 5,15. André Perfeito, economista, esclarece que o movimento não se deve apenas ao fortalecimento do real, mas a uma fraqueza generalizada da moeda americana. "Não é o real que está ficando forte, mas sim o dólar que está ficando fraco. E como a gente observa isso? Não é só o real que está ganhando força, são todas as outras moedas dos países emergentes", explica.

Contexto global e fluxo de capital para mercados emergentes

O cenário internacional tem contribuído para essa dinâmica, com fundos globais buscando ativos reais em mercados emergentes como o Brasil, Chile, México e Polônia. A política externa dos Estados Unidos sob a administração Trump e os acordos comerciais da União Europeia com o Mercosul e a Índia têm incentivado essa diversificação, mostrando países se organizando sem a dependência exclusiva dos EUA.

Perfeito ressalta que as bolsas de países emergentes estão mais conectadas ao mundo das commodities, o que atrai investimentos em um momento de incerteza global. "A gente pega o Brasil, temos petróleo, minério. No caso do Chile, você vê a questão do cobre. Tudo isso mostra essa busca por essa solidez", afirma, destacando a busca por segurança em ativos tangíveis.

Em resumo, o dia foi marcado por um otimismo renovado no mercado financeiro brasileiro, com o dólar em baixa e a bolsa em alta, impulsionados por expectativas de juros mais baixos e um fluxo consistente de capital estrangeiro para ativos emergentes.