Empresas temem impacto financeiro de canetas emagrecedoras nos planos de saúde
Canetas emagrecedoras preocupam empresas com custos de saúde

Empresas brasileiras em alerta com custos de canetas emagrecedoras

Um estudo recente da corretora global Howden revelou uma preocupação crescente entre as empresas brasileiras em relação aos medicamentos conhecidos como "canetas emagrecedoras". Segundo o Relatório Global sobre Saúde Corporativa 2026, aproximadamente 65% dos empregadores já listam o uso desses fármacos como uma das principais ameaças à sustentabilidade financeira dos planos de saúde oferecidos aos funcionários.

Impacto financeiro iminente

Os dados apresentados são alarmantes para o setor corporativo:

  • 53% das empresas projetam aumento de gastos entre 5% e 25% em 2026
  • 9% das organizações esperam alta superior a 25% nos custos
  • O impacto deve ser sentido com mais intensidade nos próximos meses

Os medicamentos em questão são análogos do hormônio GLP-1, utilizados no tratamento de condições metabólicas e no controle de peso. No Brasil, o custo elevado dessas terapias - como o Ozempic, cuja ampola pode chegar a 1.200 reais - tem gerado tensão entre as expectativas dos colaboradores e a realidade financeira das empresas.

Dilema entre benefícios e sustentabilidade

Cláudia Machado, vice-presidente de Benefícios da Howden Brasil, destaca o desafio enfrentado pelos departamentos de recursos humanos: "O cenário coloca o RH diante do dilema de equilibrar o desejo dos colaboradores por novos tratamentos com a necessidade de manter a sustentabilidade financeira do benefício de saúde".

Embora os funcionários demonstrem expectativa crescente de que seus planos de saúde cubram essas terapias inovadoras, as empresas estão adotando uma postura cautelosa. O alto valor dos tratamentos representa um risco significativo para o equilíbrio financeiro dos programas de benefícios, especialmente em um contexto econômico desafiador.

Tendência global com reflexos locais

A pesquisa da Howden, especializada em seguros de alta complexidade, aponta que esta não é uma preocupação isolada do mercado brasileiro, mas sim parte de uma tendência global. A popularização dos medicamentos para metabolismo tem transformado a dinâmica dos custos com saúde corporativa em diversos países, exigindo novas estratégias de gestão de benefícios.

As empresas agora enfrentam o duplo desafio de atender às demandas legítimas de saúde de seus colaboradores enquanto garantem a viabilidade financeira de longo prazo de seus programas de benefícios. Este equilíbrio delicado promete ser um dos temas centrais nas discussões corporativas sobre saúde e bem-estar nos próximos anos.