Banco do Brasil enfrenta calote bilionário e inadimplência em alta no quarto trimestre de 2025
O Banco do Brasil divulgou nesta quarta-feira (11) seu balanço financeiro, revelando um calote de R$ 3,6 bilhões aplicado por uma empresa do segmento atacado durante o quarto trimestre de 2025. A instituição não nomeou a companhia, mas analistas ouvidos pelo jornal Valor Econômico apontam que se trata da Braskem, empresa petroquímica produtora de resinas plásticas. O banco tinha exposição financeira no mesmo valor junto à empresa. O g1 solicitou um posicionamento à Braskem, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Impacto na inadimplência e nos resultados financeiros
Devido ao calote, o índice de inadimplência acima de 90 dias do Banco do Brasil subiu para 5,17%, superando os 4,51% do terceiro trimestre e os 3,16% de um ano antes. Sem considerar esse efeito específico, o índice seria de 4,88%. Esse indicador mede a parcela das operações de crédito em atraso, servindo como termômetro da saúde da carteira de crédito dos bancos ao apontar riscos de perdas e a capacidade de recuperação dos empréstimos.
No documento, o banco enfatizou que o aumento da inadimplência reflete um caso isolado na carteira de Títulos e Valores Mobiliários, vinculado a uma empresa do atacado. Os dados financeiros foram divulgados após o fechamento dos mercados, e, nesta quinta-feira, por volta das 16h, as ações do banco registravam alta de 2,77%.
Queda significativa no lucro anual e ajustes nas projeções
Em 2025, o Banco do Brasil registrou lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, dentro da faixa projetada entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões. Esse resultado representa uma queda de 45,4% em comparação com 2024. Inicialmente, o banco havia projetado lucro entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões para 2025, mas suspendeu a previsão em maio, revisando-a para R$ 21 bilhões a R$ 25 bilhões em agosto e reduzindo novamente em novembro.
A presidente-executiva do BB, Tarciana Medeiros, destacou que 2025 foi um ano de ajustes, com o balanço fortemente afetado pelo aumento da inadimplência em parte da carteira do agronegócio e por novas regras contábeis implementadas. No quarto trimestre de 2025, o banco registrou lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, queda de 40,1% ante o mesmo período de 2024, mas avanço de 51,7% em relação ao terceiro trimestre, superando as expectativas do mercado que previam R$ 4,5 bilhões.
Projeções otimistas para 2026 e desempenho da carteira de crédito
Para 2026, o Banco do Brasil projetou lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A instituição espera expansão de 0,5% a 4,5% na carteira de crédito, com crescimento de 6% a 10% para pessoa física. Para empresas, a estimativa varia de queda de 3% a alta de 1%, e para o agronegócio, de -2% a 2%. O custo do crédito foi estimado entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões, com previsão de aumento de 2% a 6% nas receitas de prestação de serviços e de 5% a 9% nas despesas administrativas. A margem financeira bruta deve crescer entre 4% e 8%.
Em nota à imprensa, Medeiros afirmou: "Nossos resultados indicam que estamos dando os sinais da inflexão. Estamos otimistas com 2026, atuando sempre com cautela, estratégia clara e execução disciplinada. Seguimos com foco contínuo em mitigação de riscos e rentabilidade."
No final de dezembro, a carteira de crédito expandida do BB somava quase R$ 1,3 trilhão, com alta de 1,4% no trimestre e 2,5% na comparação anual. O custo do crédito ficou próximo de R$ 18 bilhões, estável em relação ao trimestre anterior, mas 93,9% acima do mesmo período de 2024. Na pessoa física, a carteira cresceu 1,8% no trimestre e 7,6% anualmente, com inadimplência de 6,56%. Entre pessoas jurídicas, a carteira manteve-se estável, e a inadimplência chegou a 3,75%. Para o agronegócio, a carteira encerrou com alta de 1,8% no trimestre e 2,1% anualmente, mas a inadimplência acima de 90 dias subiu para 6,09%.
Retorno sobre patrimônio e indicadores de capital
O Banco do Brasil voltou a apresentar retorno sobre patrimônio líquido de dois dígitos no quarto trimestre, de 12,4%, acima dos 8,4% do trimestre anterior, mas abaixo dos 20,8% registrados em 2024. Esse desempenho ficou inferior aos 24,4% do Itaú Unibanco, 17,6% do Santander Brasil e 15,2% do Bradesco no mesmo período. A margem financeira bruta alcançou R$ 27,8 bilhões, alta de 3,8% em relação a 2024, enquanto as receitas de prestação de serviços caíram 3,9% e as despesas subiram 4,1%. O índice de eficiência passou de 25,6% para 27,7%.
O índice de capital nível 1 do BB avançou de 12,66% para 14,26%, e o capital principal subiu de 10,89% para 12,23%. O índice de Basileia alcançou 15,13%. Além disso, o banco anunciou a distribuição de R$ 1,2 bilhão aos acionistas na forma de juros sobre capital próprio complementar.