Banco Central mantém Selic em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva
BC mantém Selic em 15% ao ano pela 5ª vez seguida

O Comitê de Política Monetária do Banco Central, conhecido como Copom, anunciou nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, a manutenção da taxa básica de juros da economia, a Selic, em 15% ao ano. Esta é a quinta decisão consecutiva nesse sentido, mantendo os juros no maior patamar observado em duas décadas, desde junho do ano passado.

Decisão alinhada com as expectativas do mercado financeiro

A autoridade monetária agiu dentro das projeções do mercado financeiro, que já antecipava a continuidade da política monetária restritiva. O Copom destacou que o ambiente externo permanece incerto, principalmente devido à conjuntura econômica dos Estados Unidos, o que influencia as decisões locais.

Em seu comunicado, o Banco Central não descartou a possibilidade de iniciar um novo ciclo de alta da taxa de juros, caso julgue necessário para conter pressões inflacionárias. Essa postura reflete uma cautela contínua em meio a variáveis econômicas globais voláteis.

Contexto macroeconômico e pressões internas

O BC reconheceu que os indicadores macroeconômicos brasileiros mostram uma trajetória de moderação no crescimento, um fator positivo para o controle da inflação. No entanto, o mercado de trabalho segue resiliente, gerando pressões sobre os preços que preocupam a autoridade monetária.

A decisão do Copom ocorreu um dia após a divulgação do IPCA-15, considerado a prévia oficial da inflação. O indicador apontou uma variação de 0,20% em janeiro, ligeiramente abaixo da média de expectativas do mercado, que era de 0,22%. Este resultado representa o segundo melhor desempenho para um mês de janeiro desde 1994.

Inflação acumulada no limite da meta

A alta acumulada do IPCA-15 em 12 meses ficou em 4,5%, atingindo exatamente o limite superior da meta estabelecida pelo Banco Central. A autoridade monetária trabalha com uma meta contínua de inflação de 3%, com bandas de tolerância de 1,5% para mais ou para menos, o que define um intervalo aceitável entre 1,5% e 4,5%.

Na deliberação anterior, em dezembro de 2025, o Copom manteve um tom considerado duro pelos analistas, enfatizando que a política monetária restritiva persistiria por um "período bastante prolongado". Isso já sinalizava que não haveria cortes de juros em janeiro de 2026.

Projeções do mercado e próximos passos

O Boletim Focus, divulgado na segunda-feira, 26 de janeiro, reuniu projeções do mercado financeiro que sugerem uma taxa Selic de 12,25% ao final de 2026, indicando uma expectativa de redução de 2,75 pontos percentuais em relação ao nível atual. A próxima edição do boletim, programada para segunda-feira, 2 de fevereiro, mostrará se o mercado ajustará suas previsões após o comunicado mais recente do Banco Central.

A manutenção da Selic em 15% ao ano reforça o compromisso do BC com o controle inflacionário, mesmo diante de um cenário econômico complexo, marcado por incertezas externas e pressões domésticas. Os investidores e analistas continuarão monitorando de perto os dados econômicos e as futuras decisões do Copom para avaliar a trajetória da política monetária brasileira.