Ações da dona do Ozempic despencam após decepção com novo medicamento para emagrecimento
Ações da dona do Ozempic caem 16% com decepção em novo remédio

Queda acentuada nas ações da Novo Nordisk após resultados decepcionantes de estudo clínico

As ações da Novo Nordisk, gigante farmacêutica dinamarquesa e proprietária dos populares medicamentos Ozempic e Wegovy, sofreram uma queda vertiginosa de quase 16,5% nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, na Bolsa de Copenhague. A forte desvalorização ocorreu imediatamente após a divulgação de resultados decepcionantes de um estudo clínico crucial envolvendo seu medicamento experimental para emagrecimento, denominado CagriSema.

Estudo comparativo revela eficácia inferior do CagriSema

O ensaio clínico, que se estendeu por 84 semanas e envolveu pacientes com obesidade, tinha como objetivo principal demonstrar que o CagriSema era pelo menos tão eficaz quanto a tirzepatida, princípio ativo dos medicamentos Mounjaro e Zepbound da concorrente Eli Lilly. Contudo, os resultados finais não atingiram essa meta, gerando uma reação negativa imediata dos investidores.

O medicamento CagriSema, que combina semaglutida com cagrilintida, proporcionou uma perda média de peso de 23% nos pacientes. Esse desempenho ficou abaixo dos 25,5% alcançados pela tirzepatida, o que não apenas decepcionou o mercado, mas também impulsionou as ações da Eli Lilly, que avançaram 3,5% no pregão de Wall Street no mesmo dia.

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Impacto financeiro e contexto de pressão no mercado

Com a queda acentuada, as ações da Novo Nordisk fecharam o dia cotadas em torno de 251 coroas dinamarquesas, equivalente a aproximadamente 205 reais, marcando o menor patamar desde o ano de 2021. Essa desvalorização agrava um período já difícil para a empresa, que acumula perdas de quase metade do valor de suas ações nos últimos 12 meses.

Entre os fatores que contribuem para essa pressão contínua estão:

  • A queda de preços nos Estados Unidos após um acordo com o governo Trump para reduzir custos de medicamentos para consumidores.
  • O fim de exclusividades de patentes em mercados importantes como Canadá, Brasil, Índia e China.
  • A concorrência direta e crescente da Eli Lilly no segmento de medicamentos para emagrecimento.
  • O aumento de opções mais acessíveis no mercado farmacêutico global.

Reação da empresa e perspectivas futuras

Apesar do revés, o diretor-científico da Novo Nordisk, Martin Holst Lange, manteve um tom otimista em declarações públicas. Ele afirmou que o CagriSema ainda tem potencial para se tornar o primeiro tratamento combinado dos hormônios GLP-1 e amilina aprovado especificamente para obesidade.

A empresa anunciou planos para conduzir novos ensaios clínicos, explorando o potencial máximo do medicamento através de:

  1. Testes com doses mais elevadas do princípio ativo.
  2. Experimentos com diferentes combinações de componentes.
  3. Estudos adicionais para otimizar a eficácia e segurança do tratamento.

Contudo, as projeções financeiras para 2026 tornaram-se mais cautelosas. A Novo Nordisk espera uma possível queda nas vendas e lucros, com variações estimadas entre 5% e 13% em cenários mais otimistas. Essa cautela reflete não apenas a decepção com o CagriSema, mas também o ambiente competitivo intensificado e as pressões regulatórias e de mercado que a empresa enfrenta atualmente.

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