Redução da jornada de trabalho pode afetar 1,5 milhão de empregos e derrubar PIB, alerta estudo da Fiep
Redução da jornada pode impactar 1,5 milhão de empregos e PIB

Um levantamento encomendado pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) à Tendências Consultoria revela que a proposta de redução da jornada de trabalho, atualmente em debate no Congresso Nacional, pode desencadear consequências econômicas severas no curto prazo. Segundo o estudo, apresentado nesta terça-feira, 10 de março de 2026, em Brasília, a medida coloca em risco aproximadamente 1,5 milhão de empregos formais, com possibilidade de demissões ou migração para a informalidade, além de provocar uma queda relevante no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Impactos econômicos imediatos e de longo prazo

As propostas que tramitam no Legislativo defendem a redução das atuais 44 horas semanais para 40 ou 36 horas, o que incluiria o fim da escala de trabalho 6 x 1, na qual o empregado folga apenas um dia na semana. O estudo da Fiep alerta que, mesmo considerando um ganho de produtividade de 2%, o PIB poderia cair até 3,7% já no primeiro ano de vigência da medida, dependendo do tamanho da redução da jornada. Em um horizonte de cinco anos, a retração econômica poderia alcançar 4,9%, evidenciando um impacto prolongado e significativo na economia nacional.

Riscos adicionais para o mercado de trabalho

O levantamento também indica que não há garantia de geração de empregos com a mudança e aponta uma série de riscos adicionais que podem agravar a situação. Entre eles, destacam-se a redução de horas contratadas e de produção nas empresas, a substituição por trabalhadores com salários menores e o aumento da dupla ocupação entre empregados. Esses fatores podem intensificar a precarização do trabalho e ampliar as desigualdades no mercado laboral.

O estudo considera apenas os impactos sobre o setor privado, mas ressalta que estados e municípios, que frequentemente contratam serviços terceirizados como limpeza e segurança patrimonial, também podem ser afetados negativamente. Isso sugere que as repercussões da medida se estenderiam além da esfera empresarial, atingindo as finanças públicas e a prestação de serviços essenciais.

Posicionamento da Fiep e recomendações

A Fiep reconhece a legitimidade do debate sobre a escala 6×1 no Congresso, mas defende que mudanças estruturais na jornada de trabalho devem ser conduzidas com base técnica, diálogo com o setor produtivo e respeito às diferenças entre os diversos segmentos da indústria. A entidade patronal argumenta que uma alteração uniforme poderia elevar custos operacionais, reduzir a competitividade das empresas, desestimular investimentos e, consequentemente, afetar negativamente os empregos.

Segundo a federação, a modernização das relações de trabalho deve ocorrer prioritariamente por meio de negociação coletiva e políticas voltadas ao aumento da produtividade. Entre as medidas recomendadas, estão a modernização tecnológica, a qualificação profissional, a implementação de políticas industriais robustas, a melhoria do ambiente de negócios, o acesso a crédito acessível, a estabilidade regulatória e a simplificação tributária. Essas ações, conforme a Fiep, são essenciais para conciliar a proteção ao trabalhador com a competitividade empresarial, sem comprometer o crescimento econômico.

Contexto do debate e seminário em Brasília

O levantamento foi apresentado durante o seminário “Modernização da jornada de trabalho”, promovido pela Coalizão das Frentes Parlamentares do Setor Produtivo. O evento reuniu parlamentares, especialistas e representantes de entidades da economia real para discutir formas de equilibrar a proteção aos trabalhadores com a necessidade de manter a competitividade das empresas brasileiras no cenário global.

Essa discussão ocorre em um momento crucial, onde a busca por melhorias nas condições laborais se choca com os desafios econômicos enfrentados pelo país. O estudo da Fiep serve como um alerta para que decisões políticas sejam tomadas com cautela, considerando não apenas os benefícios sociais, mas também os potenciais riscos econômicos que podem impactar milhões de brasileiros e a estabilidade financeira nacional.