Brasil enfrenta pior desempenho na geração de empregos formais desde 2020 em 2025
O ano de 2025 marcou o pior resultado do Brasil na criação de empregos formais desde 2020, com a geração de 1,27 milhão de novos postos de trabalho entre janeiro e dezembro. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), revelando um cenário preocupante para o mercado laboral formal do país.
Contratações e desligamentos em números
Ao longo de 2025, houve um total de 26,59 milhões de contratações e 25,3 milhões de desligamentos, resultando em um aumento líquido no número de celetistas de 47,1 milhões para 48,4 milhões. Esse crescimento representa um aumento de 2,71% no total de vagas formais, um percentual significativamente menor em comparação com os registrados em 2023 (3,3%) e 2024 (3,69%).
O mês de dezembro de 2025 apresentou um saldo negativo de 618 mil postos de trabalho formais, indicando uma piora de 1,26% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse dado reforça a tendência de desaceleração observada ao longo do ano.
Setores e estados com desempenho destacado
No acumulado do ano, todos os principais agrupamentos de atividades econômicas registraram aumento nas contratações. O setor de serviços liderou o crescimento, com a criação de 758 mil empregos formais, representando um aumento de 3,29%. Em segundo lugar, o comércio contribuiu com 247 mil novos postos formais.
Em termos estaduais, os maiores crescimentos percentuais ocorreram no Amapá (8,4%), Paraíba (6%) e Piauí (5,81%). Por outro lado, o Espírito Santo apresentou o pior resultado, com um aumento de apenas 1,52% no total de postos de trabalho formais.
Ministro atribui resultado à política monetária
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, atribuiu o desempenho inferior em dezembro à manutenção da alta taxa de juros. Em decisão tomada na quarta-feira (28), o Copom (Comitê de Política Monetária) manteve a taxa Selic em 15%, nível que permanece inalterado desde meados de 2025.
Segundo Marinho, a política monetária restritiva tem afetado negativamente os investimentos e desacelerado o ritmo de crescimento da economia. Ele alertou que, caso haja demora na redução dos juros, o mercado ainda sentirá os efeitos por algum tempo, o que poderia comprometer os resultados do restante do ano.
"Procurei dialogar com o Banco Central, mostrando o que conseguíamos interpretar das atas e que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo [da economia]. Enxergava e insistia que iríamos ter um processo de diminuição de velocidade. É o que o BC esperava e trabalhou para diminuir, dada a sua responsabilidade de cumprimento das metas. Mas isso reflete em queimar orçamento para pagar juros", afirmou o ministro.
Impacto do tarifaço de Trump e desempenho da indústria
Marinho também comentou sobre o "tarifaço" imposto pelo presidente americano Donald Trump, que chegou a sobretaxar importações brasileiras em 50%. Ele destacou que os impactos dessa medida foram menores do que os causados pela Selic elevada, graças à abertura de mercado do Brasil para outros países.
O setor industrial, um dos mais afetados pela política de Trump, registrou a criação de 144 mil empregos formais em 2025. "O impacto do tarifaço foi amenizado pela política do governo para abrir novos mercados. Isso deu uma minimizada muito grande", explicou Marinho.
Contradição com dados de desemprego do IBGE
O resultado negativo na formalidade do emprego surge em um contexto paradoxal, já que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) vem registrando uma tendência de renovação da mínima histórica de desemprego. No trimestre até novembro de 2025, a taxa de desocupação ficou em 5,2%, o menor percentual desde o início da série histórica em 2012.
Essa discrepância entre a geração de empregos formais e a taxa de desemprego sugere uma complexidade no mercado de trabalho brasileiro, com possíveis mudanças na composição do emprego e na informalidade.