O cenário da inadimplência de aluguel no Brasil apresentou um sinal positivo no início de 2026, com a taxa atingindo seu menor patamar em oito meses. De acordo com o Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), divulgado pela Superlógica, o índice ficou em 3,29% em janeiro, recuando 0,15 ponto percentual em relação a dezembro, quando estava em 3,44%. Em comparação com novembro de 2025, a queda foi de 0,40 ponto, partindo de 3,69%.
Análise do diretor da Superlógica
Manoel Gonçalves, diretor de negócios para imobiliárias do Grupo Superlógica, avalia que a redução no início do ano é um indicador animador, mas ressalta a necessidade de cautela. "Inflação e juros altos seguem no radar e podem impactar diretamente o orçamento das famílias e, por consequência, a capacidade de pagamento dos inquilinos", afirma Gonçalves. Ele destaca que é prematuro cravar uma tendência de melhora sustentável, sendo fundamental monitorar os próximos meses para confirmar se o movimento é pontual ou consistente.
Dados por faixa de valor e tipo de imóvel
O levantamento, que considerou mais de 600 mil contratos em todo o país – com dados anonimizados e classificando como inadimplentes os boletos com mais de 60 dias de atraso – revelou nuances importantes:
- Nos imóveis residenciais, a inadimplência em contratos com aluguel de até R$ 1.000 superou os de alta renda (acima de R$ 13 mil).
- As taxas mais baixas foram registradas em aluguéis entre R$ 3.000 e R$ 5.000 (1,76%) e entre R$ 2.000 e R$ 3.000 (1,82%).
- No segmento comercial, imóveis com aluguel de até R$ 1.000 tiveram a segunda queda consecutiva, passando de 8,06% em dezembro para 7,22% em janeiro.
Comparativo por tipo de propriedade
A inadimplência de apartamentos caiu pela terceira vez seguida, de 2,23% em dezembro para 2,15% em janeiro. Já a de casas teve uma ligeira redução, de 3,74% para 3,54%. Nos imóveis comerciais, a taxa recuou de 4,65% para 4,46% no mesmo período.
Desempenho regional
Em janeiro, a região Norte assumiu a liderança no ranking de inadimplência, com uma taxa de 4,03%. O Nordeste, que ocupava o topo desde maio de 2025, caiu para o segundo lugar, registrando 3,96% – uma queda significativa de 1,27 ponto percentual em relação aos 5,23% de dezembro.
As demais regiões apresentaram os seguintes índices:
- Centro-Oeste: 3,28% (recuo de 0,25 ponto percentual frente ao mês anterior).
- Sudeste: 3,16% (leve diminuição de 0,01 ponto percentual).
- Sul: 2,46% (mantém a menor taxa do país).
Contexto anual e perspectivas
No acumulado de 2025, a média de inadimplência ficou em 3,50%, praticamente estável em comparação com 2024, que registrou 3,49%. Gonçalves reforça que, no ano passado, a faixa de aluguel acima de R$ 13 mil concentrou os maiores níveis de inadimplência, o que justifica a prudência na análise atual. A evolução dos próximos meses será crucial para determinar se a queda de janeiro representa uma tendência de melhora ou apenas uma flutuação temporária no mercado imobiliário brasileiro.