Dino proíbe novas leis de 'penduricalhos' que ultrapassem teto constitucional
Dino veta novas leis de 'penduricalhos' acima do teto

Ministro do STF veta criação de novas leis para 'penduricalhos' acima do teto constitucional

Em uma decisão complementar proferida nesta quinta-feira (19), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu a publicação e a aplicação de novas leis sobre o pagamento a servidores públicos de parcelas remuneratórias e indenizatórias que ultrapassem o Teto Constitucional, os chamados penduricalhos. A medida visa a esclarecer e complementar a decisão liminar do último dia 5, quando o ministro determinou a suspensão de pagamentos realizados sem previsão legal expressa.

Decisão estende bloqueio e exige transparência

Segundo Dino, "Essa determinação vale inclusive para a edição de novos atos normativos pelos Poderes ou órgãos constitucionalmente autônomos". A decisão estende o bloqueio dos pagamentos também ao reconhecimento de supostos direitos retroativos que não eram pagos até a data da liminar original. Além disso, mantém o prazo de 60 dias para todos os órgãos publicarem as verbas remuneratórias e indenizatórias que despendem, com a indicação específica das leis que as fundamentam, ou da norma que as legitimam, no caso de ato infralegal.

A medida se aplica a instituições federais, estaduais e municipais que, na prática, deverão publicar e dar publicidade à folha de pagamento detalhada de seus servidores. Na liminar do último dia 5, Dino já tinha destacado que, "para quem manuseia dinheiro público, não bastam expressões genéricas como: direitos eventuais; direitos pessoais; indenizações; remuneração paradigma, entre outras constantes de Portais de Transparência", que devem ser substituídas por indicações precisas que permitam o controle sobre os gastos públicos.

Contexto do teto constitucional e próximos passos

A determinação ocorre no âmbito de uma ação que contesta o pagamento de verbas a agentes públicos que elevam os vencimentos mensais a patamares superiores ao teto máximo do funcionalismo, atualmente de R$ 46.366,19 (valor que corresponde ao subsídio pago aos ministros do STF). Em sua mais recente manifestação, tornada pública esta manhã, Dino e sua assessoria reproduzem argumentos jurídicos segundo os quais a ausência de uma lei nacional sobre o tema, conforme exigido pela Emenda Constitucional nº 135/2024, impede que órgãos e poderes autônomos criem gratificações ou indenizações por conta própria.

O caso agora segue para o referendo do Plenário do STF, que deve apreciar a questão no próximo dia 25, quando já estava agendada a votação da liminar inicial. "No tocante aos agravos e embargos interpostos, aguarde-se a apreciação quanto ao referendo da liminar pelo Plenário do STF, quando serão estabelecidos os contornos da tutela liminar antes deferida e agora complementada", decretou Dino. A decisão representa um passo significativo no controle de gastos públicos e na aplicação rigorosa do teto constitucional, com potencial impacto em milhares de servidores em todo o país.