Desemprego atinge menor patamar desde 2012, mas desigualdades regionais persistem no Brasil
Desemprego em baixa, mas desigualdades regionais persistem no Brasil

Desemprego atinge menor patamar desde 2012, mas desigualdades regionais persistem no Brasil

O Brasil fechou o ano de 2025 com a menor taxa de desemprego registrada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde o início da pesquisa, em 2012. No entanto, essa conquista nacional não se reflete de maneira uniforme em todo o território, revelando profundas desigualdades regionais que continuam a desafiar o mercado de trabalho brasileiro.

Desigualdades entre os estados

Das 27 unidades da federação, 15 estados registraram uma taxa de desocupação acima da média nacional. Os índices mais elevados de desemprego foram observados no Piauí, na Bahia e em Pernambuco. Em contraste, as menores taxas foram registradas em Mato Grosso, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

Rodolpho Tobler, economista e pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), explica essa disparidade: "Na região Centro-Oeste, a gente tem tido um crescimento da agropecuária muito forte. No Sul e no Sudeste, a gente tem historicamente um retrato maior de uma indústria que também produz mais. A gente vê que até os serviços dentro das regiões Sudeste e Sul são serviços um pouco mais produtivos. E produtivos não é que as pessoas trabalham mais, produtivos porque acabam gerando valor para a economia maior".

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A realidade da informalidade

Em seis estados brasileiros, a informalidade predomina no mercado de trabalho. O Maranhão lidera esse ranking preocupante, onde seis em cada dez trabalhadores estão na informalidade. Em seguida, aparecem Pará, Bahia, Piauí, Ceará e Amazonas.

Edson Rodrigues da Silva, que trabalha como vendedor ambulante no Centro de Salvador, compartilha sua experiência: "Trabalhei em várias situações, já vendi relógio, já vendi mochila. Para ambulante, tirar férias assim, é quando está cansado, fica um dia em casa, dois dias. Depois, volta para rua". Ele era empregado em uma empresa de iluminação pública antes de ser demitido durante a pandemia.

No extremo oposto, a informalidade é menor em Santa Catarina, no Distrito Federal e em São Paulo, demonstrando mais uma faceta das desigualdades regionais.

Histórias de superação no trabalho informal

Almir Costa Pavão, vendedor de amendoim no Rio de Janeiro, já soma mais de 30 anos trabalhando nas ruas. Ele se mudou do Maranhão em busca de oportunidades: "Lá não tinha emprego direito para trabalhar. Trabalhar na rua, ganha pouco, mas é aquilo, certinho".

Outro exemplo é Ednaldo Santiago, que vende tapioca e churros das 7h às 19h. Com orgulho, ele relata: "Comprei casa própria, graças a Deus". Quando questionado sobre seu sentimento, responde com convicção: "Demais".

O caminho para reduzir as desigualdades

Rodolpho Tobler aponta a necessidade de políticas públicas específicas: "Como transformar outras regiões do país em mais produtivas, que gerem mais empregos, empregos formais. Isso requer políticas públicas que mirem o desenvolvimento de algumas regiões. Desenvolver a mão de obra dessas regiões é muito importante para que se tenha mão de obra de qualidade, que possa atender também os desejos de empresas que são mais produtivas".

O economista enfatiza que a produtividade regional é um fator crucial para explicar as diferenças nas taxas de emprego formal entre os estados, destacando que regiões com setores mais desenvolvidos tendem a oferecer melhores oportunidades de trabalho.

Embora o momento atual do mercado de trabalho brasileiro apresente indicadores positivos em nível nacional, as desigualdades regionais continuam sendo um desafio significativo que requer atenção e ações coordenadas para garantir que o crescimento econômico beneficie todos os brasileiros, independentemente de onde vivem.

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