Materiais escolares com personagens podem custar 178% mais caro em Petrópolis
Materiais com personagens custam 178% mais em Petrópolis

Personagens e marcas elevam custo do material escolar em Petrópolis

Uma pesquisa realizada pelo Procon Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, durante o mês de janeiro, trouxe um alerta importante para as famílias que se preparam para a volta às aulas. O estudo aponta que itens de material escolar com personagens e marcas licenciadas podem custar até 178% a mais do que produtos similares sem essas características. Essa diferença significativa de preço transforma a aquisição dos materiais em um verdadeiro desafio para o orçamento doméstico na cidade.

Análise detalhada dos preços em papelarias locais

O levantamento do órgão de defesa do consumidor analisou os valores de uma lista básica de material escolar em diversas papelarias do município. Entre os itens pesquisados estão mochila, estojo, cadernos, lápis grafite e de cor, giz de cera, canetinhas, borracha, apontador, régua, tesoura, massinha de modelar, cola, tinta guache, pastas e canetas. Em Petrópolis, as aulas da rede municipal de ensino estão programadas para começar no dia 4 de fevereiro. Em 2025, a rede atendia mais de 36 mil alunos, distribuídos em 191 unidades de ensino, incluindo 80 Centros de Educação Infantil (CEIs).

Segundo o coordenador do Procon Petrópolis, Fafá Badia, diversos fatores explicam a variação de preços observada. "É importante que o consumidor fique atento às marcas e, principalmente, à imagem que o produto carrega. Além disso, é fundamental observar a qualidade e o material do item no momento da compra", orientou o especialista.

Variações de preço entre estabelecimentos e dicas de economia

A pesquisa também identificou diferenças de preço consideráveis entre as papelarias da cidade, mesmo para produtos da mesma marca. Um exemplo claro foi encontrado em um lápis de cor com 12 cores, que foi comercializado por R$ 18,99 em uma loja e por R$ 21,00 em outra. Itens como réguas, borrachas e apontadores apresentaram variações entre 10% e 15%.

"À primeira vista, as diferenças podem parecer pequenas, mas, em uma lista extensa de material escolar, esse valor gera um impacto real no bolso do consumidor. A dica é sempre pesquisar, visitar de duas a três papelarias diferentes e buscar o melhor preço", explicou Fafá Badia.

Cuidados com compras online e direitos do consumidor

Com o aumento significativo das compras pela internet, o Procon Petrópolis reforça a necessidade de cuidados extras nesse canal. "Na internet é mais fácil comparar preços, mas é fundamental pesquisar o histórico do site antes de finalizar a compra. O consumidor também tem o direito de arrependimento, podendo devolver o produto sem custo em até sete dias", destacou o coordenador.

Alertas sobre listas de material escolar e exigências das escolas

Outro ponto de atenção importante diz respeito às listas de material escolar fornecidas pelas instituições de ensino. De acordo com o Procon, as escolas não podem exigir a compra de materiais de uso coletivo. Já a aquisição de apostilas ou cadernos digitais pode ser obrigatória, dependendo das políticas da instituição.

"O consumidor deve sempre conferir essas condições no contrato de prestação de serviços educacionais. Caso a lista inclua itens de uso coletivo, a denúncia pode ser feita ao Procon", reforçou Fafá Badia. Em Petrópolis, o Procon funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h, na Rua Dr. Moreira da Fonseca, 33, no Centro, na Praça Visconde de Mauá (Praça da Águia). O telefone para contato é (24) 2246-8469.

Pesquisa estadual confirma tendência de altas expressivas

Além do levantamento local, a Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (SEDCON) e o Procon-RJ divulgaram uma pesquisa comparativa dos preços de material escolar entre 2025 e 2026, analisando 90 itens. O estudo mostra que 60% dos produtos tiveram aumento de preço, enquanto 40% apresentaram redução.

Nove itens foram classificados com "comportamento extremo", com variações positivas de até 475%. Entre os produtos mais afetados estão instrumentos geométricos e de desenho técnico, tintas e materiais artísticos, além de lápis especializados e itens de maior valor agregado.

Por outro lado, alguns produtos registraram quedas de até 98%, como dicionários escolares e materiais de apoio, reflexo da substituição por recursos digitais e da redução da demanda por materiais impressos. Para o secretário da Sedcon, Gutemberg Fonseca, os dados reforçam a importância da pesquisa antes da compra. "A compra de material escolar exige atenção e planejamento. A orientação é analisar a lista, comparar preços e tomar decisões estratégicas e econômicas", afirmou o gestor.