Novo regime tarifário de Trump beneficia 46% das exportações brasileiras aos EUA
Trump beneficia 46% das exportações brasileiras aos EUA

Novo regime tarifário de Trump beneficia quase metade das exportações brasileiras aos EUA

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, uma análise detalhada sobre os impactos da nova ordem executiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o órgão, aproximadamente 46% dos produtos brasileiros exportados ao mercado americano serão poupados de taxações adicionais, representando um volume impressionante de 17,5 bilhões de dólares.

Mudanças significativas após decisão da Suprema Corte

As alterações no regime tarifário ocorrem após uma decisão histórica da Suprema Corte dos Estados Unidos, que derrubou as chamadas tarifas recíprocas impostas pelo governo Trump com base em legislação de emergência nacional. A nova ordem executiva, publicada em 20 de fevereiro, estabelece um cenário mais favorável para as exportações brasileiras.

Além dos 46% isentos de sobretaxas, outros 25% das exportações, equivalentes a 9,3 bilhões de dólares, passam a estar sujeitos a uma tarifa global de 10%. Este percentual, aplicado com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, ainda pode ser elevado para 15%, conforme anunciado pelo próprio Trump. Por outro lado, 29% das exportações, no valor de 10,9 bilhões de dólares, continuam submetidas às tarifas setoriais previstas na Seção 232, mecanismo utilizado com argumentos de segurança nacional, como no caso do aço e alumínio.

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É importante destacar que, antes da derrubada do tarifaço pela Suprema Corte, cerca de 22% das exportações brasileiras enfrentavam sobretaxas que podiam chegar a 40% ou 50%, criando um ambiente comercial desafiador.

Aeronaves: destaque com alíquota zero

Uma das mudanças mais significativas é a exclusão das aeronaves da incidência das novas tarifas. O produto, que anteriormente tinha uma tributação de 10%, agora passa a ter alíquota zero para ingresso no mercado americano. Segundo o ministério, as aeronaves foram o terceiro principal item da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos em 2024 e 2025, caracterizando-se por seu elevado valor agregado e conteúdo tecnológico.

Setores industriais e agropecuários beneficiados

O MDIC avalia que o novo regime tarifário amplia consideravelmente a competitividade de diversos segmentos industriais brasileiros no mercado americano. Entre os setores mais beneficiados estão:

  • Máquinas e equipamentos
  • Calçados
  • Móveis
  • Confecções
  • Madeira
  • Produtos químicos
  • Rochas ornamentais

Estes produtos deixam de enfrentar tarifas que podiam alcançar 50% e passam a competir sob uma alíquota isonômica de 10%, com possibilidade de aumento para 15%. No setor agropecuário, também há avanços significativos, com produtos como pescados, mel, tabaco e café solúvel saindo de uma alíquota de 50% para a tarifa geral de 10%, podendo eventualmente chegar a 15%.

Essa reestruturação tarifária representa um alívio importante para a economia brasileira, especialmente em um contexto de relações comerciais internacionais complexas. A redução das barreiras tarifárias pode estimular o crescimento das exportações e fortalecer a presença do Brasil no mercado americano, um dos mais relevantes do mundo.

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