O Santander registrou lucro líquido recorrente de 3,78 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026, uma redução de 1,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado ficou abaixo das projeções do mercado, que esperava um lucro de 4 bilhões de reais, conforme o consenso do BTG Pactual.
Cenário de juros altos e inadimplência em alta
O banco enfrentou um trimestre desafiador, marcado pelo aumento da inadimplência em meio a juros elevados e ao forte endividamento de famílias e empresas. Além disso, o primeiro trimestre é sazonalmente mais fraco devido ao menor número de dias úteis, o que impacta a margem com clientes. Outro fator de pressão foi o alto nível dos juros, que prejudicou os resultados da tesouraria e afetou a margem com o mercado.
Margem financeira e inadimplência
A margem financeira bruta do Santander totalizou 15,8 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 0,7%. Dentro desse segmento, a margem com o mercado ficou negativa em 771 milhões de reais, uma piora significativa em relação ao resultado positivo de 97 milhões registrado no mesmo período de 2025. Essa deterioração já era esperada pelo mercado devido à alta da Selic, que passou de 13,25% em janeiro de 2025 para 15% em janeiro de 2026.
A inadimplência acima de 90 dias avançou 0,6 ponto percentual, passando de 2,8% no primeiro trimestre de 2025 para 3,3% no primeiro trimestre de 2026. A deterioração ocorreu tanto na pessoa física quanto na jurídica. Na pessoa física, o aumento concentrou-se na baixa renda, segmento mais afetado pelo cenário econômico adverso. Já na pessoa jurídica, a piora foi mais acentuada entre pequenas e médias empresas (PMEs), cuja inadimplência subiu 1,4 ponto percentual em 12 meses, atingindo 6%.
Provisões e rentabilidade
Diante desse cenário, o banco elevou as Provisões para Devedores Duvidosos (PDD) para 6,3 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 3,9% em relação aos 6,1 bilhões registrados no quarto trimestre de 2025. Esse montante é destinado a cobrir possíveis calotes de clientes. Com o ambiente mais adverso para o crédito, a rentabilidade do banco também recuou. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) caiu de 17,4% no primeiro trimestre de 2025 para 16% no primeiro trimestre de 2026.
Perspectivas
Em resumo, o Santander apresentou um resultado abaixo das expectativas, pressionado pela piora da inadimplência, que deteriorou a carteira de crédito e elevou as provisões. Parte desse desempenho também reflete a sazonalidade do primeiro trimestre, tradicionalmente mais desafiador para os bancos, especialmente em um ambiente de juros elevados e alto endividamento das famílias.



