Brasil enfrenta risco de estagnação e desemprego sem preparação para IA, alerta especialista
Risco de estagnação e desemprego no Brasil sem preparo para IA

Brasil corre risco de estagnação e desemprego sem preparação para IA, alerta especialista

Um estudo recente publicado pelo Fórum Econômico Mundial em janeiro de 2026 traça cenários possíveis para o futuro do mercado de trabalho, impulsionado pelas transformações da Inteligência Artificial. A pesquisa, que analisa desde perspectivas otimistas até cenários sombrios, serve como um alerta crucial para o Brasil, que pode enfrentar sérios desafios econômicos se não se preparar adequadamente.

Cenários do Fórum Econômico Mundial: do otimismo ao desemprego massivo

O estudo do Fórum Econômico Mundial delineia dois extremos principais. No cenário mais positivo, denominado progresso turbinado, a IA avança exponencialmente enquanto a força de trabalho está amplamente preparada para se adaptar, resultando em ganhos de produtividade e inovação. Por outro lado, o cenário mais preocupante, chamado de a era do despejo, prevê altas taxas de desemprego global devido à substituição de humanos por sistemas de IA, criando uma crise social e econômica.

Para o Brasil, a situação não está definida, mas os riscos são palpáveis. Luiza Zequi, CEO da Piera Future Lab, unidade de inovação e educação executiva da consultoria Pieracciani, enfatiza que o país não está em rota definitiva para o pior cenário, mas também não pode descartá-lo. Corremos o risco de sofrer com a estagnação e um alto nível de desemprego, afirma Zequi. Isso não afetará apenas a geração atual, mas também as futuras, se não agirmos com urgência.

Urgência na qualificação e adaptação de talentos

A especialista argumenta que a chave para preparar o Brasil para o futuro reside na qualificação e adaptação de talentos. O estudo do Fórum Econômico Mundial corrobora essa visão, destacando que a longevidade das habilidades profissionais está diminuindo rapidamente. Isso exige uma agilidade maior e uma visão de futuro por parte dos sistemas de educação e treinamento, que devem se reinventar para atender às demandas emergentes.

Zequi aponta que o processo de adaptação à IA varia significativamente entre países. A Índia é um caso que me surpreendeu. Eles estão à frente do Brasil, assim como a China está à frente, observa. Esses países têm implementado estratégias de longo prazo, investindo consistentemente na formação de pessoas em áreas como inovação e engenharias. Em contraste, o Brasil está focando demais em soluções de IA de curto prazo e sem planejamento adequado, o que pode comprometer sua competitividade global.

Fórmula para o sucesso: investimento em IA e capacitação

Os especialistas destacam que a fórmula para garantir os benefícios da IA no Brasil envolve um casamento entre investimentos em tecnologia e capacitação de talentos. Se houver uma lacuna nas habilidades dos profissionais para lidar com a IA, isso pode criar um problema sucessório para as empresas, resultando em uma profunda escassez de pessoas aptas a trabalhar na nova realidade tecnológica.

As competências típicas do ser humano continuarão sendo as mais importantes, ressalta Zequi. Embora alguns cargos e atividades atuais possam desaparecer, as funções que permanecerão terão em comum o foco em habilidades humanas, como criatividade, empatia e pensamento crítico, que a Inteligência Artificial não consegue replicar plenamente.

Chamado à ação para empresas e governos

Cabe às empresas mapear as transformações que estão por vir e priorizar essa agenda. No entanto, a consultora expressa preocupação de que o assunto não esteja sendo tratado com a seriedade necessária. Gostaria de ver essa pauta como prioritária nos conselhos das empresas, afirma Zequi, enfatizando a necessidade de uma abordagem estratégica e colaborativa entre setores público e privado.

Em resumo, o Brasil enfrenta um momento decisivo. Sem um esforço coordenado para qualificar profissionais e investir em IA, o país pode enfrentar estagnação econômica e aumento do desemprego. A lição de países como Índia e China mostra que o planejamento de longo prazo é essencial para navegar na era da Inteligência Artificial com sucesso.