Queda do petróleo após cessar-fogo EUA-Irã pode aliviar custos no Brasil
Queda do petróleo após cessar-fogo pode aliviar custos no Brasil

Queda do petróleo após cessar-fogo entre EUA e Irã traz alívio para mercados globais

Os preços internacionais do petróleo registraram uma queda expressiva após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, que inclui a reabertura do estratégico estreito de Ormuz. O petróleo Brent, referência global, caiu aproximadamente 13%, atingindo US$ 94,80 por barril, enquanto o petróleo negociado nos Estados Unidos recuou mais de 15%, para US$ 95,75. Essa redução imediata impulsionou os mercados de ações em várias regiões, sinalizando um alívio temporário nas tensões geopolíticas que vinham pressionando os custos energéticos.

Impacto no Brasil: uma oportunidade em meio a desafios

O Brasil pode se beneficiar significativamente desse novo cenário, uma vez que a baixa do petróleo Brent tende a repercutir no mercado nacional. Até então, o país dependia principalmente de um pacote do governo federal para conter o encarecimento dos combustíveis, que afetava desde o transporte de mercadorias até o preço das passagens aéreas. O diesel, em particular, preocupa a gestão Lula por ser crucial para o escoamento da safra agrícola e o abastecimento logístico.

Em 12 de março, o Palácio do Planalto anunciou um pacote de R$ 30 bilhões para mitigar o aumento do diesel, combinando redução de impostos e uma subvenção direta às empresas. Recentemente, essa subvenção foi ampliada para R$ 1,12 por litro produzido no país, além de isenções fiscais para o querosene de aviação e linhas de crédito no valor de R$ 9 bilhões para o setor. No entanto, a implementação dessas medidas enfrenta obstáculos, pois três grandes distribuidoras – Vibra, Ipiranga e Raízen – responsáveis por metade das importações privadas de diesel, não aderiram ao programa devido a regulações de preços estabelecidas pela Agência Nacional do Petróleo.

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Cenário asiático: alívio imediato, mas incertezas persistem

Na região Ásia-Pacífico, os principais índices de ações subiram expressivamente, com destaque para o Nikkei 225 do Japão (alta de 5%) e o Kospi da Coreia do Sul (quase 6%). O cessar-fogo permitiu que mais petroleiros transitassem pelo estreito de Ormuz, aliviando a pressão sobre o fornecimento de energia que havia sido severamente interrompido. Analistas como Xavier Smith, da AlphaSense, destacam que a escalada do conflito poderia ter causado uma "ferida econômica autoinfligida", especialmente considerando a sensibilidade dos preços da energia.

Saul Kavonic, da MST Marquee, observa que, embora o cessar-fogo traga algum alívio, a retomada completa da produção energética no Oriente Médio pode levar meses devido aos danos na infraestrutura. Ataques anteriores do Irã a instalações como o polo industrial de Ras Laffan, no Catar, reduziram a capacidade de exportação em 17%, com reparos estimados em até cinco anos e custos superiores a US$ 25 bilhões.

Consequências para países em desenvolvimento

Nações asiáticas que dependem fortemente da energia do Golfo, como as Filipinas – que importam 98% de seu petróleo do Oriente Médio –, foram especialmente impactadas. Muitas declararam emergências energéticas e enfrentaram aumentos significativos nas tarifas aéreas e escassez de combustível. Ichiro Kutani, do Instituto de Economia de Energia do Japão, ressalta que o cessar-fogo é uma boa notícia, mas a normalização dos preços do petróleo levará tempo, particularmente para países sem refinarias próprias ou reservas adequadas.

Em resumo, a queda do petróleo após o cessar-fogo entre EUA e Irã oferece uma janela de oportunidade para o Brasil aliviar pressões econômicas, embora desafios na implementação de políticas domésticas persistam. Enquanto isso, a Ásia experimenta um alívio imediato, mas a recuperação plena da produção energética regional permanece incerta, mantendo a volatilidade nos mercados globais.

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