Conta de luz: entenda os motivos do alto custo e por que as tarifas continuarão subindo
Por que a conta de luz é cara e continuará subindo?

Conta de luz: entenda os motivos do alto custo e por que as tarifas continuarão subindo

A energia elétrica consolidou-se como um dos principais vilões da inflação no ano passado, com números que evidenciam uma disparidade preocupante. Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 registrou avanço de 4,26%, a tarifa de energia elétrica subiu expressivos 12,31%, quase três vezes mais. Esse cenário levanta questões fundamentais sobre a composição e a dinâmica dos custos energéticos no Brasil.

A complexidade por trás da conta mensal

Renata Feijó, CEO da Liora Energia, destaca que a conta de luz representa um gasto essencial, presente "100% no nosso dia a dia", mas que permanece envolta em complexidade para a maioria dos consumidores. Essa falta de transparência contribui para que o impacto financeiro se espalhe por toda a economia nacional.

A executiva explica que aproximadamente 55% do valor pago pelo consumidor corresponde efetivamente à energia consumida. Os restantes 45% são compostos por:

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  • Encargos setoriais
  • Impostos diversos
  • Perdas técnicas e comerciais
  • Ineficiências do sistema

Essa distribuição revela que boa parte dos aumentos tarifários não está necessariamente vinculada à geração de energia, mas sim à estrutura que sustenta todo o setor elétrico brasileiro.

O papel regulatório e os índices de reajuste

No âmbito regulatório, Renata Feijó reforça o papel da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em garantir a chamada modicidade tarifária, que busca manter preços mais acessíveis aos consumidores. Contudo, a realidade apresenta desafios significativos.

"Contratos indexados ao IGP-M acabam sendo mais penalizadores do que aqueles corrigidos pelo IPCA", afirma a especialista. Segundo seus cálculos, ao longo das últimas duas décadas, esses índices mais voláteis produziram reajustes tarifários até três vezes maiores do que os baseados no IPCA.

O círculo vicioso da inflação energética

Esse movimento cria um efeito circular difícil de romper. As tarifas de energia sobem acima da inflação geral, pressionando custos de produção e serviços em toda a cadeia econômica. No ciclo seguinte, a própria inflação maior retroalimenta novos reajustes tarifários.

Renata Feijó define esse fenômeno como um "círculo vicioso", no qual a conta de luz deixa de ser apenas uma despesa doméstica para influenciar toda a economia brasileira, desde a produção industrial até os serviços básicos.

Desafios estruturais do sistema elétrico

Do ponto de vista da infraestrutura, a executiva reconhece que o sistema elétrico brasileiro é robusto e interligado, um aspecto positivo importante. No entanto, persistem desafios significativos:

  1. A expansão de fontes renováveis, especialmente no Nordeste, exige transportar energia para as regiões Sul e Sudeste
  2. Esse transporte aumenta as perdas técnicas ao longo do caminho
  3. São necessários investimentos constantes em linhas de transmissão

Esses custos adicionais, direta ou indiretamente, acabam sendo compartilhados por todos os consumidores através das tarifas.

Fatores climáticos e encargos em ascensão

Outro fator relevante destacado pela especialista é o aumento expressivo da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que subiu aproximadamente 40% em apenas dois anos. Soma-se a isso a histórica dependência das chuvas para o abastecimento energético.

Quando os reservatórios das hidrelétricas ficam com níveis baixos, entram em operação as termelétricas, que possuem custos de geração significativamente mais elevados. Nesses períodos, são acionadas as bandeiras tarifárias amarela e vermelha, que representam acréscimos imediatos nas contas de luz.

No final das contas, a mensagem transmitida pela especialista é clara: mesmo com uma matriz energética relativamente limpa e um sistema robusto, a conta de luz continua refletindo uma combinação complexa de fatores climáticos, necessidades de investimento e regulações setoriais. E, como bem sabem os consumidores brasileiros, ela chega pontualmente todo mês, sem pedir licença.

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