Petrobras sobe com alta do petróleo, mas reajuste nas bombas deve demorar
Petrobras sobe com alta do petróleo, mas reajuste demora

Petrobras registra alta com disparada do petróleo, mas reajuste nos combustíveis deve demorar

As ações da Petrobras apresentaram significativa valorização no pregão desta segunda-feira, 2 de março de 2026, impulsionadas pela forte alta do preço do petróleo no mercado internacional. O movimento foi motivado pelos recentes ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que desencadearam uma série de retaliações por parte do regime iraniano, incluindo bombardeios a bases americanas no Oriente Médio e ataques diretos a Israel.

Por volta das 16h20, os papéis da estatal avançavam expressivos 3,9%, alcançando a cotação de 40,86 reais. Simultaneamente, o barril de petróleo registrava uma alta de 6,48%, sendo negociado a 77,59 dólares. Este cenário de tensão geopolítica já resultou em danos a três navios que tentavam cruzar o estratégico estreito de Ormuz, com a trágica morte de um marinheiro. Cerca de 200 embarcações permanecem ancoradas na região, aguardando definições sobre a segurança da navegação.

Impacto imediato e riscos futuros para a Petrobras

Analistas financeiros ouvidos pela reportagem avaliam que o movimento atual é positivo para a Petrobras no curto prazo, mas alertam para riscos significativos que podem comprometer os ganhos da companhia caso os reajustes de preços internos demorem a ser implementados. Marcus Novais, sócio-fundador da Private Investimentos, explica que a alta do petróleo favorece a estatal brasileira no momento, pois a empresa tende a reajustar os preços dos combustíveis nas refinarias.

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No entanto, a política de preços atual da Petrobras difere substancialmente daquela adotada entre 2016 e 2022. Durante esse período, a empresa utilizava o Preço de Paridade de Importação (PPI), que atrelava diretamente os valores internos às cotações internacionais, com repasses praticamente imediatos. Esta política, implementada nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, contribuiu para a disparada histórica dos combustíveis e culminou na greve nacional dos caminhoneiros.

Mudança na política de preços e defasagem atual

Sob intensa pressão social e política, a Petrobras alterou seu modelo de precificação no governo Lula. Atualmente, a empresa segue considerando o mercado internacional como referência, mas adota o Preço de Paridade de Exportação (PPE), que desconsidera o componente de frete e leva em conta apenas o valor da commodity. Além disso, os reajustes passaram a ocorrer de forma mais gradual, aguardando maior estabilização das cotações internacionais.

Esta mudança gerou uma situação peculiar: no final de janeiro, a gasolina era vendida com um prêmio de 1% em relação ao preço internacional, quando o petróleo estava cotado a 69 dólares por barril e o dólar valia 5,19 reais. Com a recente alta da commodity, a Petrobras agora pratica uma defasagem preocupante de 17% ante o mercado externo. "Essa diferença tende a pressionar significativamente as receitas da Petrobras se for mantida por muito tempo", alerta Novais.

Incertezas sobre reajustes e impacto na lucratividade

Especialistas consideram extremamente difícil estimar quando um eventual reajuste será aplicado ou qual será sua magnitude exata. Lucas Sigu, sócio-fundador da Ciano Investimentos, explica: "O conflito no Oriente Médio segue em curso e novos desdobramentos podem surgir a qualquer momento, o que torna improvável uma estimativa precisa. O petróleo pode subir ainda mais, complicando ainda mais o cenário".

Sigu acrescenta que a valorização do petróleo pode ampliar consideravelmente a margem de lucro da Petrobras caso haja repasse adequado aos preços internos. Segundo suas projeções, o ganho poderia variar entre 5 e 15 pontos percentuais na margem. "Isso ocorre porque a Petrobras não apenas vende petróleo, mas também o compra para seu processamento interno", esclarece o analista.

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Cenário geral e perspectivas para a estatal

De forma geral, os analistas avaliam que a alta da commodity tende a fortalecer as receitas e a lucratividade da Petrobras no curto prazo. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) já anunciou que aumentará a produção em 206 mil barris por dia a partir de abril de 2026, em resposta à escalada do conflito, o que pode influenciar futuras cotações.

Porém, os especialistas fazem um alerta importante: sem reajustes em prazo razoável, o cenário favorável pode se inverter rapidamente. Isso se deve especialmente ao fato de que a companhia ainda importa derivados, como o diesel, o que pode pesar negativamente nos resultados financeiros se não houver reajuste adequado dos preços internos. A demora nos ajustes, portanto, representa um risco concreto para a saúde financeira da estatal brasileira no médio e longo prazos.