O mercado financeiro brasileiro já não espera grandes cortes na taxa Selic neste primeiro semestre. Diante do impasse prolongado no Estreito de Ormuz, que afeta o tráfego de navios petroleiros, gaseiros e de carga geral, e com o barril do petróleo Brent para entrega em julho cotado a US$ 101,32 (alta de 2,28%), as expectativas se ajustaram para uma postura mais cautelosa do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom).
Projeções de inflação em alta
As 153 instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa elevaram a projeção do IPCA de abril de 0,66% para 0,70%. O IBGE divulga o índice oficial no dia 11, mas a prévia do IPCA-15 sai amanhã. A mediana das respostas dos últimos cinco dias úteis aponta 0,72%. Para maio, a estimativa subiu de 0,37% para 0,38% na variação semanal, e a mediana dos últimos cinco dias úteis é de 0,39%. Já para junho, a previsão é de 0,30% a 0,31%, o que indica que o mercado não acredita em um impasse prolongado no Golfo.
A inflação esperada para o ano subiu de 4,80% para 4,86%, bem acima do teto da meta de 4,50% (3,00% mais tolerância de 1,50%). Na mediana dos últimos cinco dias úteis, o percentual chega a 4,89%. Esse cenário pressiona o Copom a manter os juros mais elevados.
Selic deve fechar 2026 em 13%
A projeção do mercado é de que a Selic encerre o ano em 13%, um ponto percentual acima do previsto em dezembro de 2025. Para 2027, com a inflação persistindo em torno de 4,00% (ante 3,99% previstos anteriormente), a taxa básica de juros deve fechar o ano seguinte em 11,00% ao ano, meio ponto acima da estimativa anterior.
Nas próximas reuniões do Copom, marcadas para 29 de abril e 17 de junho, a expectativa é de reduções de apenas 0,25 ponto percentual cada, mantendo a Selic em 14,50% ao final do primeiro semestre.
Juros altos e câmbio
Os juros elevados tendem a atrair dólares de especuladores internacionais e de capitais brasileiros em paraísos fiscais, no chamado “turismo cambial”, devido ao diferencial de mais de 11% entre a Selic (14,50%) e o piso dos juros nos Estados Unidos (3,75%). Para abril, o mercado espera que o dólar feche o mês entre R$ 5,05 e R$ 5,04. Com a Selic em 14,50% em junho, o câmbio fecharia o primeiro semestre em R$ 5,10. A taxa esperada para dezembro caiu de R$ 5,30 para R$ 5,25 ou R$ 5,24. A política monetária mais apertada ajudaria a conter pressões inflacionárias tanto sobre bens exportados quanto importados.



