Mais de 80% das famílias acreanas permanecem endividadas, aponta pesquisa da Fecomércio-AC
Mais de 80% das famílias acreanas continuam endividadas

Endividamento atinge mais de 80% das famílias acreanas, segundo pesquisa recente

Uma pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre (Fecomércio-AC), divulgada na última segunda-feira (16), revela um cenário preocupante de endividamento no estado. Os dados referentes ao mês de fevereiro mostram que 109.059 famílias acreanas, o equivalente a 82,3% do total, continuam endividadas, mantendo uma situação que pesa significativamente no orçamento doméstico.

Inadimplência de longo prazo e comprometimento da renda

O estudo, baseado em informações da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), aponta que 38,4% dessas famílias, ou seja, 50.915, estão com contas em atraso há mais de 30 dias. Além disso, as famílias endividadas comprometem 31,7% de sua renda para quitar dívidas, um percentual que se manteve estável desde janeiro, mas que é superior ao observado em 2025.

Egídio Garó, assessor da presidência da Fecomércio-AC, explica que o consumo é influenciado pela pouca oferta de crédito e pela alta da taxa Selic, que, segundo projeções, deve permanecer elevada até o final do ano. "Mesmo com tais dificuldades, as famílias estão consumindo mais do que necessário. Se por um lado há a melhoria do poder aquisitivo, que leva ao consumo, por outro, muitas famílias, notadamente de renda de até 5 salários, utilizam com demasia o crédito nas compras de produtos não duráveis e as fazem parceladamente. Esse último fator dificulta o planejamento doméstico e, consequentemente, levará as famílias a um endividamento ainda maior", afirmou.

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Impacto nas famílias de baixa renda e dados nacionais

O comprometimento da renda atinge principalmente famílias com renda de até 10 salários mínimos, sendo mais concentrado naquelas com renda de até cinco salários. Nas famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o percentual é de 28,1%. A pesquisa também mostra uma leve redução no número de famílias que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas: de 15.392 em janeiro para 14.662 em fevereiro, uma queda de 4,98%.

Em nível nacional, os números coletados pela pesquisa indicam que 80,2% das famílias brasileiras estavam endividadas em fevereiro, o maior valor em toda a série histórica. Desse total, 29,6% estão com dívidas atrasadas há mais de 30 dias e 12,6% afirmam não ter condições de pagar as dívidas no momento, tornando-se inadimplentes. Esse último número é menor do que o observado em janeiro.

Esses dados reforçam a necessidade de ações para combater o endividamento, especialmente no Acre, que tem enfrentado desafios significativos nessa área. A situação exige atenção contínua de autoridades e instituições financeiras para oferecer soluções de renegociação e orientação às famílias afetadas.

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