Maior liberação de petróleo da história tenta conter crise energética global
Maior liberação de petróleo da história contra crise energética

Governos recorrem a reservas estratégicas em resposta à crise no Oriente Médio

A escalada dos conflitos no Oriente Médio levou as principais economias mundiais a adotarem uma medida de emergência raramente utilizada: a liberação massiva de petróleo de suas reservas estratégicas. A Agência Internacional de Energia (IEA), que coordena políticas energéticas entre países industrializados, anunciou nesta quarta-feira a maior operação desse tipo desde a criação do sistema na década de 1970.

Volume recorde para conter disparada dos preços

Os 32 países membros da entidade concordaram em colocar 400 milhões de barris de petróleo no mercado internacional. O objetivo é frear a forte alta dos preços provocada pela guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que interrompeu o tráfego de navios no estratégico Estreito de Ormuz.

Essa passagem entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico é crucial para o comércio global de petróleo, por onde transitam cerca de 20% a 25% de todo o petróleo transportado por mar no mundo, equivalente a aproximadamente 20 milhões de barris diários. Com o fluxo quase paralisado, os preços dispararam, chegando perto de US$ 120 por barril em Londres no início da semana.

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Reservas estratégicas: um mecanismo de emergência

As reservas estratégicas de petróleo foram criadas após o choque do petróleo de 1973, quando países produtores do Oriente Médio reduziram exportações e provocaram uma crise global de abastecimento. Atualmente, os países membros da IEA são obrigados a manter estoques equivalentes a pelo menos 90 dias de importações líquidas de petróleo.

Esses estoques são armazenados em:

  • Cavernas subterrâneas
  • Tanques industriais
  • Estoques comerciais sob supervisão estatal

Somadas, essas reservas chegam a cerca de 1,2 bilhão de barris, além de outros 600 milhões mantidos pela indústria sob obrigação governamental. A liberação anunciada agora representa aproximadamente um terço do estoque público disponível e supera o recorde anterior de 183 milhões de barris liberados em 2022 durante a guerra na Ucrânia.

Distribuição entre os países participantes

A participação na liberação será distribuída entre várias nações, com alguns países já anunciando suas contribuições:

  1. Estados Unidos: maior parcela, com cerca de 415 milhões de barris armazenados em cavernas subterrâneas na costa do Golfo do México
  2. Japão: aproximadamente 80 milhões de barris
  3. Coreia do Sul: cerca de 22,5 milhões de barris
  4. Alemanha: aproximadamente 19,5 milhões de barris
  5. França: até 14,5 milhões de barris
  6. Reino Unido: 13,5 milhões de barris

Alívio temporário e desafios persistentes

Segundo Fatih Birol, diretor-executivo da IEA, os desafios atuais do mercado de petróleo são "sem precedentes em escala" e exigem uma resposta coletiva para evitar uma crise maior. No entanto, analistas alertam que a medida pode oferecer apenas um alívio temporário.

Estimativas de bancos e consultorias indicam que o bloqueio do Estreito de Ormuz pode estar retirando entre 11 milhões e 16 milhões de barris por dia do mercado global, um choque de oferta difícil de compensar apenas com estoques emergenciais. Além disso, mesmo após a decisão política, o petróleo das reservas não chega imediatamente ao mercado - nos Estados Unidos, por exemplo, pode levar cerca de duas semanas entre a decisão e a chegada efetiva aos compradores.

Solução duradoura depende da segurança marítima

Para especialistas e governos, a solução duradoura depende menos das reservas estratégicas e mais da segurança marítima no Golfo Pérsico. O fator decisivo para a estabilidade do mercado continua sendo a reabertura do trânsito no Estreito de Ormuz.

Sem a normalização dessa rota crucial, grande parte da produção de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque permanece sem acesso aos mercados internacionais, mantendo a pressão sobre os preços globais de energia e ameaçando a recuperação econômica mundial.

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