Inflação nos EUA sobe sob pressão do petróleo, mesmo com fim de embargo russo
Inflação nos EUA sobe com petróleo alto, apesar de fim de embargo russo

Inflação norte-americana enfrenta pressão persistente do petróleo

Os futuros das bolsas americanas ensaiam uma estabilidade relativa nesta sexta-feira, após uma semana de quedas significativas que levaram os principais índices de ações dos Estados Unidos aos menores patamares do ano. O movimento dos mercados nesta manhã apresenta-se mais suave em comparação com a volatilidade registrada nos pregões anteriores, mas não consegue alterar a tendência dominante: o petróleo segue em trajetória ascendente, enquanto as bolsas permanecem pressionadas pelo conflito no Irã e suas repercussões globais.

Commodity mantém alta mesmo com mudança política

A commodity avança firmemente na faixa de US$ 100 por barril do tipo Brent, um patamar que preocupa economistas e investidores. Essa valorização ocorre mesmo após uma decisão política significativa: o presidente americano, Donald Trump, retirou o embargo de compra do petróleo russo, que estava em vigor desde a invasão à Ucrânia. A medida, no entanto, não produziu o efeito esperado de alívio nos preços, levantando questões sobre a real disponibilidade do óleo no mercado internacional.

Especialistas apontam que a Rússia, sob o comando de Vladimir Putin, continuou vendendo petróleo para países aliados durante o período do embargo, o que pode explicar a limitada oferta adicional agora disponível. A incerteza sobre os volumes efetivamente liberados para o mercado global contribui para manter a pressão altista sobre os preços.

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Bolsas americanas acumulam perdas significativas

Na semana, o S&P 500 registra queda de 0,99%, enquanto a baixa no ano já alcança 2,35%. O Nasdaq, por sua vez, recua 0,33% no acumulado da semana e apresenta perda de 4% no ano. Esses números refletem o cenário desafiador enfrentado pelos investidores, que precisam navegar entre a inflação persistente e os riscos geopolíticos.

Agenda econômica com indicadores cruciais

Na agenda do dia, o destaque absoluto é a divulgação do PCE (Índice de Despesas de Consumo Pessoal), o principal indicador de inflação utilizado pelo Federal Reserve (Fed) para guiar a política monetária dos Estados Unidos. Assim como ocorreu com o IPCA divulgado na quinta-feira, este dado mantém sua importância, embora muitos analistas argumentem que ele não reflete mais uma tendência clara para o mercado, dado os efeitos distorcidos da alta do petróleo sobre os números inflacionários.

Também serão publicados hoje o relatório Jolts de criação de vagas nos EUA e a segunda leitura do PIB americano referente ao quarto trimestre. Esses indicadores fornecerão insights adicionais sobre a saúde da maior economia do mundo.

Agenda doméstica brasileira com menor intensidade

Enquanto isso, a agenda econômica doméstica apresenta-se mais modesta, com destaque para a pesquisa mensal de serviços de janeiro, a ser divulgada pelo IBGE. O EWZ, fundo que representa as ações brasileiras negociadas em Nova York, registra queda nesta manhã, ampliando as perdas do pregão de quinta-feira.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, perdeu o patamar psicológico de 180 mil pontos na véspera, mas recua apenas 0,04% na semana. No acumulado do ano, a alta ainda se mantém expressiva em 11%, demonstrando a resiliência relativa do mercado brasileiro em meio à turbulência global.

Calendário completo de divulgações

9h: IBGE divulga pesquisa mensal de serviços de janeiro, pesquisa industrial mensal regional de janeiro e o levantamento de safra de fevereiro.

9h30: Estados Unidos publicam segunda leitura do PIB do 4º trimestre.

9h30: Estados Unidos anunciam PCE de janeiro.

11h: Estados Unidos divulgam relatório Jolts de abertura de vagas de janeiro.

Esta análise corresponde à versão online da newsletter VEJA Negócios – Abertura de mercado enviada nesta data. Para receber a edição completa e exclusiva para assinantes, é necessário realizar cadastro específico no canal oficial da publicação.

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