Inadimplência no Brasil atinge maior patamar em nove anos, revela Banco Central
O Banco Central divulgou nesta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, dados alarmantes sobre a situação do crédito no país. A taxa de inadimplência do sistema financeiro nacional atingiu 5,5% em janeiro, registrando um aumento significativo de 1,1 ponto percentual em comparação com o mês de dezembro. Este é o nível mais elevado observado desde o ano de 2017, marcando um preocupante retrocesso após quase uma década.
Detalhes do aumento da inadimplência e endividamento das famílias
De acordo com a nota oficial enviada à imprensa, a inadimplência da carteira total de crédito do Sistema Financeiro Nacional subiu 0,2 ponto percentual, alcançando 4,2%. Especificamente, a inadimplência no crédito concedido às empresas apresentou um aumento de 0,2 ponto percentual, situando-se em 2,6%. Paralelamente, o crédito destinado às famílias também registrou uma alta de 0,2 ponto percentual, chegando a 5,2%.
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,7% ao final de 2025, após um crescimento de 1,3 ponto percentual em doze meses. Além disso, o comprometimento de renda das famílias alcançou 29,2% no mesmo período, com uma variação positiva de 1,7 ponto percentual ao longo do ano. Esses números refletem uma crescente pressão financeira sobre os consumidores.
Disparada nas taxas de juros para pessoas físicas
Um dos dados mais impactantes divulgados pelo Banco Central refere-se ao crédito livre para pessoas físicas. A taxa média de juros anual disparou para 61%, registrando acréscimos de 0,9 ponto percentual apenas no mês de janeiro e de impressionantes 6,7 pontos percentuais em doze meses.
As operações que mais contribuíram para essa elevação foram:
- Cartão de crédito parcelado, com aumento de 6,8 pontos percentuais.
- Crédito pessoal não consignado, que subiu 1,5 ponto percentual.
- Financiamento para aquisição de veículos, com alta de 1,3 ponto percentual.
- Crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado, que registrou incremento de 1,2 ponto percentual.
Panorama do crédito concedido pelo sistema financeiro em janeiro
O saldo total das operações de crédito do sistema financeiro alcançou 7,1 trilhões de reais em janeiro, apresentando uma ligeira diminuição de 0,2% em relação ao mês anterior. Esse resultado foi impulsionado pela redução de 1,7% no saldo da carteira de crédito destinado às pessoas jurídicas, que totalizou 2,7 trilhões de reais. Em contrapartida, o crédito para pessoas físicas registrou um incremento de 0,7%, alcançando 4,5 trilhões de reais.
Já o saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro atingiu 20,8 trilhões de reais, o que corresponde a 162,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Houve uma queda modesta de 0,3% no mês, influenciada principalmente pela redução de 3,4% nos saldos dos empréstimos externos, impactados pela apreciação cambial de 4,95%.
Na comparação interanual, o crédito ampliado cresceu 12,6%, com destaque para as elevações na carteira de empréstimos do Sistema Financeiro Nacional (9,9%) e nos títulos públicos de dívida (19,1%). O crédito ampliado às empresas totalizou 7,0 trilhões de reais (54,7% do PIB), com diminuição de 1,2% no mês. Por fim, o crédito ampliado às famílias alcançou 4,8 trilhões de reais (37,7% do PIB) em janeiro, registrando variações positivas de 0,8% no mês e de 11,7% em doze meses, impulsionadas pelo incremento nos empréstimos do sistema financeiro nacional.



