Governo brasileiro aumenta imposto sobre celulares importados para fomentar indústria local
No início de fevereiro, o governo brasileiro anunciou uma elevação no imposto de importação para mais de mil produtos, com destaque para celulares, visando tornar os aparelhos vindos do exterior mais caros e incentivar a competitividade interna. A alta pode alcançar até 7,2 pontos percentuais, impactando setores e consumidores que recorrem a compras internacionais.
Impacto limitado na produção nacional
A medida não afeta os smartphones produzidos no Brasil, que representam 95% dos aparelhos adquiridos no país em 2025, conforme dados dos ministérios envolvidos. Eduardo Tude, presidente da Teleco, empresa de consultoria em telecomunicações, explica que grandes marcas como Samsung, Motorola e Apple já realizam a montagem de celulares no território nacional, o que isenta seus produtos do aumento tarifário.
No entanto, a Apple não possui fábrica própria no Brasil, contando com a representante Foxconn, localizada no interior de São Paulo, para montar os iPhones destinados ao mercado brasileiro. Por outro lado, marcas como Xiaomi e Realme, que não montam ou fabricam seus dispositivos no país, podem ser diretamente impactadas pela nova política tributária.
Consumidor ainda busca alternativas internacionais
Roberto Beninca, advogado tributarista e sócio da MBW Advocacia, ressalta que há uma demanda persistente por celulares importados no Brasil, mesmo com a oferta nacional diversificada. "O consumidor que importa leva em consideração preço, tecnologia e percepção de valor. Muitos aparelhos importados apresentam melhor custo-benefício", afirma Beninca.
Para ilustrar o efeito prático, ele utiliza o exemplo de um smartphone importado no valor de US$ 600, convertido para R$ 3 mil com câmbio de R$ 5 por dólar. Com uma alíquota anterior de 16%, o imposto seria de R$ 480, totalizando R$ 3.480. Com o aumento de 7,2 pontos percentuais, a alíquota sobe para 23,2%, elevando o imposto para R$ 696 e o custo inicial para R$ 3.696.
Contexto global e objetivos governamentais
A medida ocorre em um cenário de crise na oferta global de memória RAM, componente essencial para eletrônicos, agravada pelo avanço da inteligência artificial, que desvia investimentos para chips mais avançados. O governo justifica a mudança como uma forma de reequilibrar os preços entre produtos estrangeiros e nacionais, reduzindo a dependência externa do mercado brasileiro de eletrônicos.
Segundo nota técnica do Ministério da Fazenda, a China responde por 46% das importações desses bens, enquanto o Vietnã ocupa a segunda posição, com 7,9% de participação. A expectativa é que o aumento das tarifas gere uma arrecadação adicional de R$ 14 bilhões neste ano, auxiliando o governo federal a cumprir a meta de superávit nas contas públicas.
Lista de produtos afetados pela medida
- Telefones inteligentes (smartphones)
- Torres e pórticos
- Reatores nucleares
- Caldeiras
- Geradores de gás de ar
- Turbinas para embarcações
- Motores para aviação
- Bombas para distribuição de combustíveis ou lubrificantes
- Fornos industriais
- Congeladores (freezers)
- Centrifugadores para laboratórios de análises
- Máquinas e aparelhos para encher, fechar ou rotular garrafas
- Empilhadeiras
- Robôs industriais
- Máquinas de comprimir ou compactar
- Distribuidores de adubos (fertilizantes)
- Máquinas para indústrias de panificação, açúcar e cervejeira
- Máquinas para fabricação de sacos ou envelopes
- Máquinas e aparelhos de impressão
- Cartuchos de tinta
- Descaroçadeiras e deslintadeiras de algodão
- Máquinas para fiação de matérias têxteis
- Máquinas e aparelhos para fabricar ou consertar calçado
- Martelos
- Circuitos impressos com componentes elétricos montados
- Máquinas de cortar o cabelo
- Painéis indicadores com LCD ou LED
- Controladores de edição
- Tratores
- Transatlânticos e embarcações similares
- Plataformas de perfuração flutuantes
- Navios de guerra
- Câmeras fotográficas para usos especializados
- Aparelhos de diagnóstico por ressonância magnética
- Aparelhos dentários
- Aparelhos de tomografia computadorizada



