Bolsa brasileira sofre forte queda impulsionada por dados inflacionários e tensões geopolíticas
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, registrou uma queda expressiva de 2,55% nesta quinta-feira, 12 de março de 2026, fechando a sessão em 179,2 mil pontos. O movimento reflete um aumento significativo da aversão ao risco entre os investidores, influenciado por fatores tanto domésticos quanto internacionais.
Inflação acima do esperado pressiona expectativas de juros
No cenário interno, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, surpreendeu negativamente o mercado. O indicador oficial da inflação subiu 0,70% em fevereiro, acelerando em comparação com janeiro, quando ficou em 0,33%. Esse aumento foi puxado principalmente pelos reajustes nas mensalidades escolares, que resultaram em uma inflação de 5,21% no segmento de educação.
"Os números reforçaram a cautela em relação ao processo de desinflação e levaram à abertura da curva de juros no Brasil, com o mercado reduzindo apostas de um corte mais intenso da taxa Selic na próxima reunião do Copom", afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
Crise no Oriente Médio eleva preço do petróleo e afeta commodities
No exterior, o preço do barril de petróleo Brent voltou a subir após novos ataques a embarcações no Golfo e declarações do novo líder supremo iraniano. Ele defendeu a manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz, por onde escoa 20% do óleo e gás transportados por via marítima no mundo. A commodity encerrou o dia em alta de mais de 10%, a 101 dólares por barril.
No Brasil, esse cenário impulsionou a valorização das ações da Petrobras (PETR4), que avançaram 0,45%. No entanto, entre as demais ações de peso no principal índice da B3, os bancos operaram com desempenho negativo, acompanhando o derretimento da bolsa.
- Santander (SANB11): baixa de 4,44%
- Banco do Brasil (BBAS3): recuo de 4,38%
- Bradesco (BBDC4): queda de 2,76%
- Itaú (ITUB4): desvalorização de 2,73%
Dólar se valoriza com fuga para ativos seguros
O dólar, por sua vez, encerrou em forte valorização de mais de 1% e ficou cotado a 5,24 reais. Para Sahini, o cenário internacional levou os investidores a reduzir exposição a ativos de risco e buscar proteção na moeda americana.
"Em paralelo, o movimento também tem provocado uma reprecificação das expectativas para a política monetária nos Estados Unidos, com o mercado adiando de julho para setembro o início do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve", comenta o especialista.
Os fatos que mexem no bolso dos brasileiros continuam sendo o destaque das análises no programa Mercado, refletindo a sensibilidade do mercado financeiro a eventos econômicos e geopolíticos globais.
