Endividamento das famílias brasileiras atinge 80,4% em março, segundo CNC
A mais recente pesquisa de endividamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC) revela um quadro persistente de contas no vermelho para os brasileiros. O percentual de famílias endividadas subiu de 80,2% em fevereiro para 80,4% em março de 2026. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o índice era de 77,1%, o avanço é ainda mais significativo, indicando uma tendência de crescimento contínuo.
Os dados apontam para uma realidade onde o orçamento doméstico segue severamente pressionado. Mais da metade das famílias (56,1%) compromete entre 11% e 50% de sua renda mensal com o pagamento de dívidas, um sinal claro de que o espaço para manobras financeiras é extremamente limitado.
Inadimplência estável, mas tempo de atraso aumenta
Embora o índice de inadimplência tenha se mantido praticamente estável em 29,6%, um detalhe preocupa os analistas. O tempo médio das dívidas em atraso subiu para 65,1 dias, atingindo o maior patamar desde dezembro de 2024. Este prolongamento sugere uma dificuldade crescente em regularizar os débitos, mesmo que o número total de contas em atraso não tenha apresentado uma alta abrupta.
Paralelamente, houve uma leve redução no percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas, caindo de 12,6% para 12,3%. A CNC interpreta este movimento como um alívio marginal, possivelmente influenciado por uma percepção um pouco menos pessimista sobre a continuidade da inadimplência no curto prazo.
Guerra no Oriente Médio é nova ameaça ao bolso do consumidor
O cenário, no entanto, está longe de ser tranquilizador. A entidade comercial faz um alerta contundente: os preços dos combustíveis, diretamente impactados pela guerra no Oriente Médio, podem ser o próximo fator a pressionar a inadimplência no país.
O conflito internacional tem provocado volatilidade nos preços do petróleo no mercado global, e esse movimento tende a se refletir nas bombas de gasolina e nos custos de transporte no Brasil. Para famílias que já destinam uma fatia substancial da renda para quitar dívidas, qualquer aumento nos preços essenciais pode ser o empurrão final para o não pagamento.
A CNC projeta que o endividamento das famílias deve se manter em níveis elevados durante todo o primeiro semestre. A expectativa é de que apenas uma flexibilização mais efetiva da política monetária, com quedas significativas nas taxas de juros que de fato cheguem ao consumidor final, possa iniciar um processo de alívio mais consistente.
Enquanto isso, o brasileiro segue contando moedas para equilibrar as contas, em um ambiente econômico onde a guerra distante se transforma em uma preocupação muito próxima e palpável para o orçamento doméstico.



