Guerra no Oriente Médio pressiona custos de transporte coletivo e de cargas no Brasil
A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a gerar efeitos diretos no setor de transportes brasileiro, com empresas de transporte coletivo e de cargas recalculando impactos financeiros. A volatilidade e o aumento do preço do petróleo no mercado internacional ameaçam elevar significativamente os custos logísticos, afetando principalmente o preço do diesel no país.
Instabilidade no preço do petróleo preocupa transportadoras
Em reportagem do Bom Dia Brasil desta quarta-feira (11), empresários do setor alertaram que a instabilidade geopolítica pode obrigar companhias a rever contratos e reorganizar estruturas de custos. A West Cargo, uma transportadora de cargas de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, já iniciou o recálculo dos gastos com combustível. A empresa atende companhias aéreas, agentes de carga, importadores e exportadores.
“O que mais nos preocupa nesse primeiro momento é a instabilidade e a volatilidade do preço do petróleo, que é o principal insumo dentro dos custos de uma transportadora”, afirmou Luigi Rosolen, diretor da empresa. Ele destacou ainda que o cenário pode exigir mudanças operacionais: “A gente sabe que vai precisar fazer algum tipo de reestruturação de custos dentro da logística”.
Impacto direto no diesel e nos fretes
O diesel representa aproximadamente 35% do custo do frete das transportadoras. Mesmo sem um reajuste oficial da Petrobras, empresários relatam que o combustível já registrou aumentos em diversas cidades brasileiras. Essa pressão sobre os custos não se limita ao setor de cargas.
A preocupação também atinge empresas de transporte coletivo, como no Rio de Janeiro. Companhias do setor afirmam que o aumento recente do combustível já gera um impacto relevante nas contas mensais. “Para você ter uma ideia, somente na última semana o custo do óleo diesel subiu em média 15 centavos por litro, o que nos gera um impacto de R$ 2 milhões de reais no final do mês”, explicou Paulo Valente, diretor do Rio Ônibus.
Risco de desabastecimento e medidas propostas
Além da questão do preço, as empresas demonstram apreensão com o risco potencial de falta do combustível. Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, ressalta que as pressões sobre a matéria-prima já podem estar sendo traduzidas para o produto final, afetando toda a cadeia.
Diante desse cenário desafiador, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) tomou iniciativas para mitigar os efeitos. A entidade pediu ao Ministério de Minas e Energia o aumento da mistura de biodiesel no diesel — atualmente em 15% — para 17%. Segundo Bruno Lucchi, diretor técnico da CNA, o momento favorece esse ajuste, que deve influenciar positivamente o preço final.
A CNA também solicitou ao Ministério da Fazenda e ao Conselho Nacional de Política Fazendária uma redução temporária de tributos federais e estaduais sobre o combustível. Essas medidas buscam aliviar a pressão sobre os custos operacionais e garantir a continuidade dos serviços de transporte, essenciais para a economia nacional.
