Guerra no Oriente Médio eleva preço do diesel e preocupa setor de transporte no Brasil
Guerra eleva preço do diesel e preocupa transporte no Brasil

Guerra no Oriente Médio impulsiona alta do diesel e preocupa empresas de transporte

As empresas de transporte coletivo e de cargas já começam a calcular os impactos da guerra no Oriente Médio sobre seus custos operacionais. Segundo um levantamento recente da Edenred Mobilidade, realizado com base em dados de 21 mil postos de combustível em todo o país, os preços do óleo diesel subiram mais de 7% nos primeiros dias de março.

Alta expressiva nos preços do combustível

O Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) comparou a primeira semana de março com os últimos sete dias de fevereiro, revelando aumentos significativos. O preço médio do diesel S-10 subiu impressionantes 7,72%, saltando de R$ 6,22 para R$ 6,70 por litro. Já o diesel comum apresentou uma alta de 6,10%, passando de R$ 6,44 para R$ 6,52 por litro.

Vale destacar que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também monitora os preços médios do diesel no território nacional. Os dados mais recentes da ANP, divulgados na sexta-feira (6), ainda não indicaram aumentos tão expressivos quanto os apontados pela Edenred. Segundo a agência reguladora, o preço médio do diesel S-10 ficou em R$ 6,15 na semana encerrada em 6 de março, representando uma alta de apenas 0,98% em relação aos sete dias anteriores. O diesel comum subiu 0,83% na mesma comparação, alcançando R$ 6,08.

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Conflito internacional como principal fator

De acordo com Vinicios Fernandes, diretor de frete da Edenred Mobilidade, a alta dos combustíveis acompanhou diretamente o avanço do petróleo no mercado internacional, impulsionado pela guerra no Oriente Médio. "Há bastante preocupação sobre o combustível por conta de seu impacto indireto na inflação", alerta o executivo.

Fernandes explica que "quando há uma alta mais forte no preço do petróleo, é comum que os primeiros efeitos apareçam no diesel. Como ele é o principal combustível do transporte rodoviário de cargas, qualquer aumento de custo tende a se refletir rapidamente nesse mercado".

Os preços do petróleo realmente subiram nas últimas semanas, com a escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, e o fechamento do estratégico Estreito de Ormuz — rota por onde passa mais de 20% do comércio global da commodity. Na segunda-feira (9), o barril chegou perto de US$ 120, mas recuou nos dias seguintes para a casa dos US$ 90.

Preocupações com oferta e investigação do Cade

O diretor da Edenred revela que "alguns postos já relatam dificuldade para repor combustível em determinados tanques ou bombas, o que pode indicar oferta mais restrita caso as limitações logísticas provocadas pelo conflito se prolonguem".

Fernandes destaca ainda que os preços ao consumidor têm mudado mesmo sem anúncio oficial de reajuste da Petrobras nas refinarias. Esta situação virou alvo de investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), após sindicatos do setor indicarem aumento ou previsão de alta nos preços da gasolina e do diesel em várias regiões, mesmo sem mudança nos valores praticados pela estatal. A investigação foi solicitada pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) na última terça-feira (10).

Segundo o executivo, ainda é cedo para afirmar que haverá falta de combustíveis no país por causa do conflito no Oriente Médio, e é "importante ter cautela nesse momento". "A Petrobras ainda não anunciou reajustes e costuma avaliar o comportamento do mercado antes de tomar qualquer decisão", pondera Fernandes.

Medidas internacionais para conter preços

Em desenvolvimento positivo, mais de 30 países-membros da Agência Internacional de Energia (AIE) anunciaram nesta quarta-feira (11) que vão liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas de emergência. Trata-se da maior liberação já realizada pelo grupo e deve ajudar a conter os preços no mercado internacional.

Nordeste lidera aumentos regionais

O IPTL indica que o maior avanço dos preços foi registrado na região Nordeste, com alta de 13,17% no diesel S-10 e de 8,79% no diesel comum. O preço médio na região chegou a R$ 7,22 por litro. Em seguida, vieram as regiões Centro-Oeste e Sul.

Na análise por estado, o levantamento mostra que:

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  • O maior preço médio do diesel comum foi registrado em Roraima, a R$ 7,84 por litro
  • O menor valor apareceu em Pernambuco, a R$ 6,23 por litro
  • No diesel S-10, o maior preço foi registrado em Rondônia, a R$ 7,90 por litro
  • O menor valor médio ficou na Paraíba, a R$ 6,26 por litro

A situação permanece em monitoramento constante, com as empresas de transporte calculando cuidadosamente os impactos financeiros dessas altas nos combustíveis, que podem se refletir em toda a cadeia logística e de abastecimento do país.