Gasolina a R$ 6,30 na Venezuela ainda atrai brasileiros na fronteira com Roraima
Gasolina na Venezuela a R$ 6,30 atrai brasileiros na fronteira

Gasolina venezuelana a R$ 6,30 ainda atrai filas de brasileiros na fronteira com Roraima

Mesmo após um significativo reajuste no preço, motoristas brasileiros e venezuelanos continuam formando longas filas para abastecer em um posto de combustível localizado na fronteira entre Venezuela e Brasil. Nesta sexta-feira, 30 de agosto, o litro da gasolina passou de R$ 3 para R$ 6,30 em um estabelecimento situado em Santa Elena de Uairén, cidade venezuelana que faz divisa com Pacaraima, no norte do estado de Roraima.

Vantagem econômica mantém movimento intenso

Apesar do aumento expressivo, o valor praticado do lado venezuelano ainda representa uma economia considerável em comparação com os preços brasileiros. Em Pacaraima, o litro da gasolina é vendido a R$ 7,80, o que significa que os motoristas que cruzam a fronteira economizam aproximadamente R$ 1,50 por litro. Essa diferença de preço tem sido o principal motivador para o fluxo constante de veículos.

O combustível mais barato começou a atrair atenção desde a quarta-feira, 28 de agosto, quando era comercializado a R$ 3. Com a alta repentina para R$ 6,30, o movimento não apresentou redução significativa. A Rede Amazônica registrou que, nos momentos de maior concentração, a fila de veículos se estendia até a linha imaginária que divide os dois países.

Logística e medidas de controle no posto fronteiriço

Para organizar o fluxo intenso de veículos, a entrada no posto está sendo liberada em grupos de cinco carros por vez. Além disso, foram implementadas restrições específicas quanto ao abastecimento: é permitido apenas o reabastecimento direto no tanque dos veículos, sem autorização para o uso de galões ou recipientes adicionais.

O estabelecimento conta com quatro bombas de combustível e sua fachada exibe o nome da PDVSA, empresa estatal de petróleo da Venezuela. É importante destacar que o país vizinho detém cerca de 17% das reservas comprovadas de petróleo no planeta, totalizando mais de 300 bilhões de barris.

Percepções de taxistas e impactos no comércio local

Entre os profissionais que atuam na região, as opiniões são divididas. O taxista Ricardo Dias relatou que não conseguiu abastecer quando o preço estava em R$ 3, mas considera que mesmo a R$ 6,30 ainda vale a pena enfrentar a fila. "Ontem não deu para pegar a de R$ 3, mas hoje, a R$ 6,30, ainda compensa um pouco. Aqui no Brasil está mais caro, então para quem mora em Pacaraima ainda vale a pena", afirmou.

Por outro lado, o taxista Fernando Germano, que trabalha há 15 anos na fronteira, expressou cautela quanto à qualidade do combustível venezuelano. "Os carros hoje são eletrônicos, flex. Eu prefiro esperar um tempo para ver se não vai dar problema. Talvez daqui a alguns meses eu use, se o preço se mantiver e não tiver reclamação", explicou, destacando que a gasolina do país vizinho não passa pela fiscalização brasileira.

Do lado brasileiro, o aumento do movimento na Venezuela já refletiu diretamente nos postos de combustível de Pacaraima. Wemerson Chaves, gerente de um estabelecimento local, confirmou que as vendas caíram significativamente quando o litro chegou a R$ 3 do outro lado da fronteira. "Com a gasolina a R$ 3 lá, nosso movimento caiu bastante. Não tem como competir por causa dos impostos. Mesmo agora, com o valor a R$ 6,30, ainda fica difícil para a gente", lamentou.

Contexto histórico e atual da região fronteiriça

O cenário atual contrasta com o registrado na primeira semana de janeiro de 2026, quando os Estados Unidos realizaram um ataque contra a Venezuela, com explosões no território venezuelano, resultando na captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, que foram levados para os Estados Unidos. Essa situação histórica demonstra a volatilidade e complexidade das relações na região.

A gasolina vendida a R$ 3 teve seu estoque esgotado ainda na quinta-feira, 29 de agosto. O novo carregamento chegou entre a noite de quinta e a madrugada de sexta-feira, já com o preço reajustado para o valor atual de R$ 6,30 por litro.