Gasolina em Manaus sobe duas vezes em 15 dias e pressiona economia local
O preço da gasolina em Manaus registrou dois aumentos consecutivos em menos de um mês, elevando o valor do litro de R$ 6,99 para R$ 7,59 nos principais postos da capital amazonense. A mudança mais recente, observada desde o último domingo (22), surpreendeu motoristas pela falta de aviso prévio e pelo curto intervalo entre os reajustes.
Redução na refinaria não garante alívio imediato
Enquanto isso, a Refinaria da Amazônia (REAM) anunciou uma redução de R$ 0,35 no preço do litro vendido às distribuidoras, válida a partir desta quarta-feira (25). Na modalidade EXA, o valor cai de R$ 4,32 para R$ 3,96, enquanto na LPA passa de R$ 4,32 para R$ 3,97. Esta é a quinta alteração de preço praticada pela Ream em 2026, todas apenas no mês de março.
Especialistas alertam que essa redução pode não se refletir significativamente nos preços ao consumidor final, que já viu a gasolina chegar a quase R$ 9 em municípios do interior do estado. "A expectativa é de que esta mudança de preço possa refletir em uma pequena redução nos valores cobrados ao consumidor", explica o economista Armando Clovis, "mas ainda é insuficiente para diminuir os impactos que o aumento dos combustíveis causa a curto e longo prazo à população".
Impactos na economia e transporte
O cenário preocupa especialmente porque 70% da população amazonense depende do transporte coletivo. Com os aumentos nos combustíveis, as empresas tendem a repassar os custos para as passagens, afetando diretamente o orçamento familiar.
"A situação é mais grave no interior do estado porque a grande parte depende do transporte fluvial", avalia Armando Clovis. "Portanto o aumento do preço do combustível levará ao aumento do frete, criando um efeito cascata na economia local".
Manaus entre as capitais com gasolina mais cara
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que Manaus já ocupava a terceira posição entre as capitais com gasolina mais cara no início de 2026, com média de R$ 6,98 por litro. A capital amazonense também registrava um dos etanóis mais caros do país, empatada com Porto Velho a R$ 5,49.
Especialistas apontam que fatores como:
- Custos logísticos na região Norte
- Preços praticados nas refinarias
- Impostos estaduais, como o ICMS
ajudam a explicar os valores mais altos na região.
Busca por soluções
Diante deste cenário, Armando Clovis defende que uma solução viável poderia partir do poder público com a adoção de políticas semelhantes às implementadas pelo governo federal com as refinarias estatais.
"Se as empresas vão aumentar os custos, elas vão repassar para o consumidor final", argumenta o economista. "A política do governo federal de subsidiar esse aumento de preço para que o impacto seja menor também deveria ser adotada aqui pelo estado, com a redução ou isenção do ICMS sobre a gasolina".
Enquanto isso, os consumidores de Manaus continuam enfrentando a pressão no bolso, com a gasolina aditivada também registrando aumento, saindo de R$ 7,49 para R$ 7,79. A sequência de reajustes em curto espaço de tempo mantém a população em alerta para possíveis novos aumentos nos próximos dias.



