Preços da gasolina disparam no Rio Grande do Sul com impacto no transporte público
Em meio a uma crise de abastecimento que afeta especialmente o setor rural, os preços dos combustíveis atingiram patamares preocupantes no Rio Grande do Sul. Na cidade de Bagé, localizada na Região da Campanha, o litro da gasolina comum chegou a ser vendido por R$ 7,39 em alguns postos de combustível, conforme levantamento realizado pela RBS TV. A gasolina aditivada, por sua vez, alcançou a marca de R$ 7,64, evidenciando uma pressão inflacionária significativa sobre os consumidores.
Variações de preço e impacto no diesel
O menor preço registrado para a gasolina comum em Bagé foi de R$ 6,96, mas a disparidade entre os valores demonstra a instabilidade do mercado. O diesel, combustível essencial para a agricultura e o transporte de carga, também sofreu aumentos expressivos, com preços chegando a R$ 8,04 por litro. Em Porto Alegre, a situação não é diferente, com postos elevando o preço da gasolina em até R$ 0,50 por litro. Na capital gaúcha, é possível encontrar o diesel S10 a R$ 8,19 e o diesel comum a R$ 8,04, valores que refletem a tensão no setor.
De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sulpetro), as variações de preço são mais acentuadas nos postos de bandeira branca. Esses estabelecimentos, que realizam compras diretas das distribuidoras, possuem menor margem de negociação, o que os torna mais vulneráveis às flutuações do mercado. A falta de flexibilidade nas transações comerciais agrava a situação para os consumidores finais.
Medidas emergenciais e resposta da Petrobras
O aumento nos preços do diesel já começou a afetar o transporte público em algumas cidades do estado. Em Rio Grande, no Sul do Rio Grande do Sul, a prefeitura autorizou a redução dos horários dos ônibus urbanos durante períodos de menor movimento. A medida, implementada na terça-feira (10), tem como objetivo preservar o estoque de combustível e evitar uma interrupção total do serviço, que seria catastrófica para a mobilidade urbana.
Em resposta à crise, a Petrobras marcou um leilão de venda de diesel para esta quarta-feira (11), às 14h, na cidade de Canoas, onde está localizada a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap). O volume disponível para comercialização será de 20 quilômetros cúbicos, com retirada permitida a partir do dia 16 de março. A expectativa é que essa iniciativa tenha um efeito imediato no mercado, aliviando a pressão sobre os preços e incentivando as distribuidoras a liberarem seus estoques retidos.
Contexto internacional e posicionamento das autoridades
A crise dos combustíveis no Rio Grande do Sul não está isolada do cenário global. Parte do combustível consumido mundialmente passa pelo Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica que recentemente foi afetada por tensões geopolíticas. O Irã anunciou o fechamento do estreito, uma medida que elevou os preços do diesel no mercado internacional e dificultou a importação do produto, impactando diretamente a economia brasileira.
Contudo, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) emitiu um comunicado negando a existência de desabastecimento de óleo diesel no estado. A agência afirmou que não há justificativas para problemas de abastecimento e que vai notificar as distribuidoras para cobrar explicações sobre a alegada falta de fornecimento aos produtores rurais. O Sindicato das Distribuidoras de Combustíveis do estado também se manifestou, declarando que suas empresas associadas não relataram falta de diesel, o que contrasta com os relatos dos agricultores.
A situação permanece delicada, com os consumidores enfrentando preços elevados e incertezas sobre a disponibilidade de combustíveis. As ações da Petrobras e o monitoramento das autoridades serão cruciais para estabilizar o mercado e garantir o abastecimento regular em todo o Rio Grande do Sul.



