FMI eleva projeção de crescimento do Brasil para 2026, mas piora cenário para 2027
FMI eleva projeção do Brasil para 2026, mas piora 2027

FMI ajusta projeções para economia brasileira com impacto da guerra

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou nesta terça-feira (14) um relatório que apresenta uma revisão nas perspectivas de crescimento para a economia brasileira. A instituição elevou a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, mas piorou o cenário estimado para 2027, refletindo os efeitos complexos do conflito no Oriente Médio e condições econômicas globais.

Projeção para 2026 é elevada, mas desempenho ainda é modesto

Em seu Relatório de Perspectiva Econômica Global, o FMI passou a prever uma expansão do PIB brasileiro de 1,9% em 2026. Este valor representa um aumento de 0,3 ponto percentual em relação à projeção feita em janeiro deste ano, retornando ao mesmo patamar estimado pelo Fundo em outubro do ano passado.

No entanto, mesmo com essa revisão positiva, o desempenho projetado para 2026 permanece abaixo do avanço de 2,3% do PIB registrado pelo Brasil em 2025, que, conforme dados do IBGE, foi o pior resultado desde 2020.

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Guerra no Oriente Médio tem efeito ambíguo para o Brasil

O FMI destacou que o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz – por onde passa aproximadamente um quinto do petróleo mundial –, está elevando os preços dos combustíveis e gerando preocupações inflacionárias globais.

Para o Brasil, contudo, a guerra deve ter um pequeno efeito positivo em 2026, impulsionando o crescimento em cerca de 0,2 ponto percentual. Isso ocorre porque o país é um exportador de energia, beneficiando-se dos preços mais altos do petróleo no mercado internacional.

Comparação com outras projeções nacionais

A perspectiva do FMI para a economia brasileira em 2026 se situa em um patamar intermediário entre as estimativas de outras instituições nacionais:

  • Banco Central: projetou um crescimento de 1,6% em março, citando incertezas elevadas devido à guerra.
  • Ministério da Fazenda: previu uma expansão mais otimista de 2,3% para o PIB de 2026.
  • Pesquisa Focus: a mais recente indica que o mercado financeiro estima um crescimento de 1,85% neste ano.

Cenário piora para 2027 com desaceleração global

Para 2027, entretanto, o FMI reduziu a perspectiva de crescimento do Brasil em 0,3 ponto percentual frente à estimativa de janeiro, fixando-a em 2,0%. Este corte reflete uma expectativa de desaceleração da demanda global, com custos mais altos de insumos – incluindo fertilizantes – e condições financeiras mais apertadas em escala internacional.

O Fundo ponderou que o Brasil possui fatores de resiliência, como:

  1. Reservas internacionais adequadas.
  2. Baixa dependência de dívida em moeda estrangeira.
  3. Grande colchão de liquidez do governo.
  4. Taxa de câmbio flexível.

Estes elementos devem ajudar o país a absorver os choques externos, segundo a análise do FMI.

Brasil fica abaixo das médias regionais e de grupos emergentes

As projeções do FMI para o Brasil em 2026 e 2027 ficaram abaixo das estimativas para a América Latina e Caribe, cujas expectativas de crescimento são de, respectivamente, 2,3% e 2,7%. O Fundo alertou que o impacto do conflito no Oriente Médio dentro da região é heterogêneo, com economias menores sendo afetadas de forma mais negativa.

Além disso, as contas do Fundo para a economia brasileira também são inferiores às das Economias de Mercados Emergentes e em Desenvolvimento, grupo do qual o Brasil faz parte. Para este conjunto, o FMI projetou crescimentos de 3,9% em 2026 e 4,2% em 2027, indicando que o desempenho brasileiro deve ficar aquém da média dos seus pares emergentes.

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