Estatais federais registram déficit recorde de R$ 4,16 bilhões em 2026
Estatais federais têm déficit recorde de R$ 4,16 bi em 2026

Estatais federais acumulam déficit histórico nos primeiros meses de 2026

O Banco Central (BC) divulgou nesta terça-feira, 31 de março, um dado alarmante sobre as empresas estatais federais. Nos dois primeiros meses de 2026, essas empresas registraram um déficit de R$ 4,16 bilhões, o que significa que seus gastos superaram amplamente as receitas geradas no período.

Pior resultado da série histórica desde 2002

Esse valor representa o pior resultado para o primeiro bimestre de um ano em toda a série histórica mantida pelo Banco Central, que teve início no ano de 2002. Até então, o maior rombo para este período havia sido registrado em 2024, quando as estatais federais apresentaram um déficit de R$ 1,36 bilhão.

O resultado negativo observado apenas em janeiro e fevereiro de 2026 já se aproxima do déficit total registrado em todo o ano de 2025, que foi de R$ 5,1 bilhões. Isso evidencia uma aceleração preocupante nas perdas das empresas controladas pela União.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Metodologia e empresas incluídas no cálculo

É importante destacar que a série do Banco Central não considera a Petrobras, a Eletrobras nem as empresas do setor financeiro, como os bancos públicos. Essas exclusões foram implementadas em 2009, mas a série histórica foi revisada com base na nova metodologia, mantendo sua validade a partir de 2002.

Entre as empresas que entram nesse cálculo estão:

  • Correios
  • Emgepron
  • Hemobrás
  • Casa da Moeda
  • Infraero
  • Serpro
  • Dataprev
  • Emgea

O conceito utilizado pelo BC considera apenas a variação da dívida, um método amplamente adotado em análises fiscais internacionais. Em contraste, o governo federal costuma utilizar o conceito "acima da linha", que calcula receitas menos despesas sem incluir os juros da dívida.

Crise nos Correios agrava o cenário

O resultado negativo das estatais federais ocorre em um momento de forte crise nos Correios, que enfrentam uma deterioração significativa em seus resultados financeiros. A empresa, que detém monopólio em serviços como recebimento, transporte e entrega de cartões-postais e correspondências, além da fabricação de selos, acumulou prejuízos expressivos.

No acumulado até setembro de 2025, as perdas dos Correios chegaram a R$ 6 bilhões, com estimativas indicando que o prejuízo no ano fechado pode ter atingido a marca de R$ 9,1 bilhões, embora esse resultado ainda não tenha sido oficialmente divulgado.

Para enfrentar a crise, os Correios contrataram, em dezembro de 2025, um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras, com garantia do Tesouro Nacional, visando quitar dívidas e aliviar o caixa. Além disso, o presidente da estatal, Emmanoel Rondon, afirmou no fim do ano passado que a empresa precisará de mais R$ 8 bilhões em 2026 para superar a crise financeira, recursos que poderão vir de aportes do Tesouro ou de um novo empréstimo.

Esse cenário evidencia os desafios enfrentados pelas estatais federais e a pressão sobre as contas públicas, com reflexos diretos na economia brasileira e na gestão fiscal do país.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar