Endividamento das famílias brasileiras atinge recorde histórico com 80,2% dos lares com dívidas
Endividamento familiar atinge recorde no Brasil com 80,2% dos lares

Endividamento das famílias brasileiras atinge patamar recorde na série histórica

O nível de endividamento das famílias no Brasil alcançou o maior patamar desde o início da série histórica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, conforme levantamento divulgado nesta quarta-feira. Em fevereiro, impressionantes 80,2% dos lares brasileiros declararam possuir algum tipo de dívida, estabelecendo um novo recorde na pesquisa.

Avanço consistente no endividamento familiar

O resultado representa um crescimento significativo tanto na comparação com janeiro deste ano, quando a taxa era de 79,5%, quanto em relação ao mesmo período do ano anterior. Em fevereiro de 2025, o percentual de famílias endividadas estava em 76,4%, indicando que em apenas doze meses houve um aumento de 3,8 pontos percentuais no endividamento familiar.

O indicador abrange diversos tipos de compromissos financeiros, incluindo:

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  • Faturas de cartão de crédito
  • Cheque especial
  • Carnês de lojas
  • Empréstimos pessoais
  • Crédito consignado
  • Financiamentos de bens como carros ou imóveis

Paralelamente, a parcela de famílias que afirmou não ter dívidas diminuiu para 19,7% em fevereiro, contra 20,5% no mês anterior.

Inadimplência volta a crescer após três meses de queda

O aumento do endividamento veio acompanhado de uma piora nos pagamentos. Após três meses consecutivos de redução, a inadimplência voltou a subir, alcançando 29,6% das famílias entrevistadas. Isso significa que quase três em cada dez lares brasileiros têm dívidas em atraso.

Este índice representa o nível mais elevado desde novembro do ano passado, quando havia atingido aproximadamente 30%. Apesar do aumento nos atrasos, houve uma leve melhora em outro indicador: a proporção de famílias que afirmam não ter condições de quitar as dívidas vencidas caiu marginalmente para 12,6% do total.

Endividamento atinge todas as faixas de renda

O avanço do endividamento ocorreu em todos os grupos de renda analisados pela pesquisa, embora tenha sido mais intenso entre famílias com rendimentos mais altos. A distribuição por faixa salarial revela:

  • 82,9% dos domicílios que recebem até três salários mínimos possuem dívidas
  • 82,9% das famílias com renda entre três e cinco salários mínimos estão endividadas
  • 78,7% dos lares que ganham entre cinco e dez salários mínimos declararam compromissos financeiros
  • 69,3% das famílias com renda superior a dez salários mínimos possuem algum tipo de dívida

Comprometimento da renda familiar com dívidas

A pesquisa também mede quanto do orçamento familiar está comprometido com o pagamento de dívidas. A parcela de consumidores que destinam mais da metade da renda mensal para quitar esses compromissos permaneceu estável em fevereiro, em 19,5%.

Para a maior parte das famílias brasileiras, o peso das dívidas no orçamento é intermediário. Cerca de 56,1% afirmam comprometer entre 11% e 50% da renda com pagamentos de crédito. Em média, os brasileiros destinam 29,7% do rendimento mensal ao pagamento de dívidas, percentual praticamente idêntico ao registrado um ano antes.

Crédito caro pressiona as finanças familiares

Economistas apontam que o nível elevado de endividamento reflete uma combinação de fatores estruturais. Entre os principais elementos estão o uso intensivo do cartão de crédito, o encarecimento do crédito ao consumidor e a tentativa de manter o padrão de consumo em meio à pressão do custo de vida.

Levantamentos do Banco Central e de instituições financeiras indicam que as taxas de juros para pessoas físicas continuam em patamares elevados, especialmente em modalidades como cartão de crédito rotativo e cheque especial. Esta realidade aumenta significativamente o risco de atraso nos pagamentos e dificulta a renegociação de dívidas já contraídas.

A situação financeira das famílias brasileiras permanece sob forte pressão, com o endividamento atingindo níveis históricos enquanto a inadimplência mostra sinais de retomada do crescimento após um breve período de melhora.

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