Dólar em alta e decisão da Suprema Corte dos EUA impactam mercados brasileiros
Dólar sobe e decisão da Suprema Corte dos EUA afeta mercados

Dólar em alta e decisão histórica da Suprema Corte dos EUA movimentam mercados

O dólar iniciou a sessão desta terça-feira (24) em alta de 0,06%, cotado a R$ 5,1720 pouco depois das 9h. Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, aguardava a abertura às 10h. Nos Estados Unidos, entrou em vigor nesta terça-feira a tarifa adicional de 10% sobre produtos que não estejam cobertos por isenções, conforme aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras. A taxa corresponde ao percentual anunciado pelo presidente Donald Trump na sexta-feira (20), e não aos 15% mencionados posteriormente.

Decisão da Suprema Corte dos EUA derruba 'tarifaço'

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, na última sexta-feira (20), que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA, conhecido como "tarifaço". Por 6 votos a 3, a maioria dos juízes concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não permite ao presidente criar tarifas por conta própria.

O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator da decisão e liderou a maioria. Os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh foram os votos vencidos. Roberts afirmou que Trump precisa de uma "autorização clara do Congresso" para justificar o tarifaço, citando precedente da própria Suprema Corte. A decisão atinge principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que representam o núcleo da estratégia tarifária do governo. Outras tarifas em vigor, como as aplicadas sobre aço, alumínio e fentanil, continuam valendo.

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Resposta de Trump e impacto no Brasil

A política tarifária do republicano ganhou novos contornos no sábado (21), quando ele anunciou que a alíquota subiria de 10% para 15%, dentro do limite da Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite tarifas por até 150 dias antes da avaliação do Congresso. As novas taxas, previstas para entrar em vigor às 00h01 (horário de Washington) da terça-feira (24), atingem todos os países que mantêm relações comerciais com os EUA.

Ao g1, o especialista em comércio exterior Jackson Campos explicou que, após a decisão do tribunal e o novo anúncio de Trump no sábado, o resultado final é uma sobretaxa de 15% sobre produtos brasileiros. "Para a maioria dos produtos, permanece a tarifa normal do item, acrescida do novo adicional temporário global de 15%", afirmou. Campos lembrou ainda que a entrada de aço e alumínio brasileiros nos EUA continua com alíquotas de 50%, que se somam aos 15% recém-anunciados, mantendo o custo desses insumos elevado.

Balanço de pagamentos do Brasil em janeiro de 2026

As transações correntes do balanço de pagamentos — que resumem quanto o país recebe e paga ao exterior com comércio, serviços, rendas e transferências — registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026. As informações foram divulgadas nesta terça-feira pelo Banco Central. O resultado foi menor que o rombo de US$ 9,8 bilhões observado em janeiro de 2025.

Na comparação anual, a melhora foi explicada principalmente pelo aumento do superávit na balança comercial de bens, que cresceu US$ 2,1 bilhões, e pela redução do déficit na conta de serviços, em US$ 581 milhões. Segundo o BC, esses avanços foram parcialmente compensados por um aumento de US$ 1,3 bilhão no déficit em renda primária, que inclui pagamentos de juros e lucros ao exterior.

No acumulado de 12 meses até janeiro de 2026, o déficit em transações correntes recuou para US$ 67,6 bilhões, o equivalente a 2,92% do PIB. Em dezembro de 2025, o déficit era de US$ 69,0 bilhões (3,03% do PIB), e em janeiro de 2025, de US$ 72,4 bilhões (3,35% do PIB).

Mercados globais sob pressão

Nos Estados Unidos, a semana começou sob um ambiente de incerteza após novas mudanças na política tarifária anunciadas pelo presidente Donald Trump e os três principais índices de Wall Street fecharam em queda. Na Europa, o tom foi de pressão sobre os mercados. Sem grandes notícias internas, o humor dos investidores refletiu principalmente as preocupações vindas do exterior, em especial dos EUA.

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No fechamento, o índice STOXX 600 recuou 0,45%, para 627,70 pontos. O DAX, da Alemanha, caiu 1,06%, a 24.991,97 pontos, enquanto o CAC 40, em Paris, recuou 0,22%, para 8.497,17 pontos. Já o FTSE 100, no Reino Unido, fechou praticamente estável, com leve queda de 0,02%, a 10.684,74 pontos.

Na Ásia, parte das principais bolsas, como Japão e China continental, permaneceu fechada por feriados, reduzindo o volume de negociações na região. O Hang Seng, em Hong Kong, subiu 2,5%, aos 27.081,91 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 0,7%, para 5.846,09 pontos. Em Taiwan, o Taiex teve alta de 0,5%, enquanto o Sensex, na Índia, subiu 0,6%. Já o SET, da Tailândia, encerrou o dia praticamente estável.

Agenda econômica e política no Brasil

Ainda no cenário americano, discursos de dirigentes do Federal Reserve ao longo do dia estarão no radar dos investidores, além da divulgação da pesquisa semanal da ADP sobre criação de vagas no setor privado, cuja leitura anterior indicou abertura de 10,25 mil postos de trabalho.

No campo político, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado ouve o presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly, em reunião do grupo de trabalho que acompanha as investigações sobre o Banco Master.

Os números acumulados mostram que o dólar teve:

  • Acumulado da semana: -0,14%
  • Acumulado do mês: -1,51%
  • Acumulado do ano: -5,83%

Enquanto o Ibovespa apresentou:

  • Acumulado da semana: -0,88%
  • Acumulado do mês: +4,13%
  • Acumulado do ano: +17,21%