Globo comete erro estratégico ao lançar GloboPop, avaliam especialistas
Erro da Globo no GloboPop: especialistas criticam plataforma

A Globo lançou há cerca de um mês o GloboPop, uma plataforma gratuita de vídeos curtos e verticais que reúne conteúdos de jornalismo, esporte, entretenimento, novelas e realitys em perfis chamados de palcos. No entanto, o aplicativo tem gerado críticas de especialistas do mercado, que apontam erros estratégicos significativos.

Desafio de atrair usuários

João Vitor Rodrigues, professor de Comunicação e Marketing da FGV e UERJ, afirma que o maior desafio do GloboPop é conquistar usuários. “O conteúdo das celebridades e do ecossistema da emissora não será suficiente. É preciso criatividade para oferecer algo que só possa ser visto no GloboPop. Reproduzir partes do conteúdo da TV não faz sentido”, explica. Ele ressalta que a audiência que já não consome os canais da Globo pode se interessar por novelas verticais, mas a emissora precisará investir em histórias originais e exclusivas.

Falta de identidade própria

Pedro Vernes, estrategista digital do Grupo VOE, concorda que a atração de público é um obstáculo, especialmente porque os usuários não produzem conteúdo, apenas consomem. “A Globo está tentando pagar uma dívida histórica do streaming, mas a grande dificuldade está em todo o resto. Cada plataforma de vídeo curto tem sua linguagem e forma de consumo. O GloboPop ainda não definiu a sua. Enquanto isso, o conteúdo soará como adaptação do que já existe”, critica.

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Plataforma fechada: um erro de estratégia

Para ambos os especialistas, o GloboPop representa o reconhecimento da Globo de que precisa ocupar novos espaços digitais. No entanto, a plataforma é “fechada”, com curadoria editorial e sem algoritmo aberto ou cocriação do usuário. “Oferecer um ambiente controlado soa bem na teoria, mas na prática quebra o padrão de usabilidade que o brasileiro já internalizou. Quando se tira do usuário a possibilidade de criar e publicar, ele vira espectador. E espectador é TV”, define Vernes.

O lançamento do GloboPop, portanto, expõe os desafios da emissora em se adaptar ao ecossistema digital, onde a interação e a produção de conteúdo pelos usuários são pilares fundamentais. A falta de originalidade e a ausência de participação ativa do público podem comprometer o sucesso da iniciativa.

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