O dólar inicia esta quinta-feira, 19 de setembro, sob um cenário de extrema cautela nos mercados financeiros globais. A nova escalada de ataques à infraestrutura energética no Oriente Médio voltou a pressionar os preços do petróleo, criando um ambiente de incerteza que afeta diretamente as moedas e bolsas de valores em todo o mundo. O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, está programado para abrir suas operações às 10 horas, refletindo essa tensão internacional.
Conflito no Oriente Médio dispara preços do petróleo
O Irã anunciou uma nova fase ofensiva na guerra, direcionando ataques a estruturas de energia no Golfo ligadas aos Estados Unidos. Esta ação é uma retaliação direta ao ataque de Israel ao maior campo de gás do mundo em território iraniano. Como consequência, forças iranianas atingiram instalações energísticas no Catar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. Este movimento provocou uma disparada significativa nos preços do petróleo no mercado global, ultrapassando a marca psicológica de US$ 100 por barril.
Impacto imediato nos mercados financeiros
Os ataques reacenderam os temores sobre a estabilidade do fornecimento de energia e inflacionaram as projeções de inflação em várias economias, incluindo o Brasil. No mercado de câmbio, o dólar acumula uma queda de 1,29% na semana, mas mantém uma alta de 2,18% no mês e uma desvalorização de 4,43% no ano. Já o Ibovespa apresenta um desempenho misto, com alta de 1,12% na semana, queda de 4,85% no mês e valorização de 11,49% no acumulado do ano.
Banco Central inicia ciclo de cortes da Selic
Em meio a este cenário externo volátil, o Banco Central do Brasil (BC) iniciou nesta quarta-feira, 18 de setembro, um novo ciclo de cortes da taxa Selic, após quase dois anos sem reduções. A expectativa predominante do mercado financeiro era de um corte de 0,25 ponto percentual, o que efetivamente ocorreu, levando a taxa básica de juros da economia brasileira para 14,75% ao ano.
Economistas destacam que as incertezas externas, especialmente a guerra no Oriente Médio e a consequente alta do petróleo, levaram a uma redução nas expectativas de um corte mais intenso nos juros. Isso indica um início de ciclo mais cauteloso por parte da autoridade monetária brasileira. Ainda assim, a tendência é de continuidade na queda da Selic ao longo dos próximos meses, com projeções de encerrar 2026 em torno de 12,25% ao ano, desde que o cenário inflacionário permita.
Federal Reserve mantém juros nos Estados Unidos
Do outro lado do hemisfério, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa de juros do país inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano – o menor nível desde setembro de 2022. A decisão, anunciada nesta quarta-feira, veio em linha com as expectativas do mercado financeiro e representa a segunda reunião consecutiva em que o banco central americano mantém a taxa no mesmo patamar.
A guerra no Oriente Médio e a disparada do preço do petróleo tiveram grande destaque na decisão do Fed, com a principal preocupação sendo o impacto sobre a inflação norte-americana. Apesar do cenário incerto, autoridades do Fed mantiveram a previsão de um corte de 0,25 ponto percentual em 2026. No entanto, o presidente do Fed, Jerome Powell, ponderou que "vários participantes" da reunião sugeriram que o próximo movimento poderá ser de alta, sinalizando uma inclinação mais dura entre os dirigentes.
Escalada militar preocupa mercados
Os conflitos no Oriente Médio entraram na terceira semana sem perspectiva de cessar-fogo. Israel afirmou nesta quarta-feira ter matado o ministro da Inteligência do Irã, após já ter eliminado, na véspera, Ali Larijani, uma das principais figuras do regime iraniano. Em resposta, o Irã lançou bombas de fragmentação contra Tel Aviv, resultando na morte de um casal de idosos, segundo a imprensa local.
O Exército israelense também bombardeou o centro de Beirute, no Líbano, deixando seis mortos e 24 feridos, de acordo com autoridades locais. Os Estados Unidos intensificaram a ofensiva, utilizando uma bomba de penetração contra posições iranianas no Estreito de Ormuz, aumentando ainda mais as tensões regionais.
Governo brasileiro busca conter impacto nos combustíveis
No plano doméstico, o governo federal anunciou medidas para apertar a fiscalização e garantir que caminhoneiros recebam um valor mínimo justo pelo frete. Empresas que pagarem valores inferiores poderão ser punidas, inclusive com suspensão das atividades. A medida faz parte de um esforço para evitar uma nova greve de caminhoneiros, diante da alta do diesel provocada pela elevação internacional do petróleo.
Apesar da redução de impostos federais, o governo avalia que o impacto no preço final ainda é limitado sem a colaboração dos estados na queda do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços de Transporte e Comunicação (ICMS). Nesta quarta-feira, o governo federal propôs que estados zerem o ICMS sobre a importação do diesel até o fim de maio, com compensação de metade das perdas. Esta medida pode custar aproximadamente R$ 3 bilhões por mês, sendo R$ 1,5 bilhão bancado pela União.
Os governadores, no entanto, informaram que não reduzirão o ICMS, argumentando que isso prejudicaria o financiamento de políticas públicas e que cortes no imposto "não costumam ser repassados ao consumidor final". O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que confirmou sua saída do cargo na sexta-feira, 20 de setembro, reuniu-se com representantes estaduais para discutir o assunto.
Mercados globais reagem com volatilidade
Em Wall Street, os principais índices tiveram forte queda após a decisão de juros nos EUA e a demonstração de preocupação de Powell com o progresso no combate à inflação. O Dow Jones recuou 1,64%, o S&P 500 caiu 1,35% e o Nasdaq registrou perdas de 1,46%.
As bolsas europeias também fecharam em queda, pressionadas pela alta do petróleo após os ataques no Irã. O índice STOXX 600, um dos principais referenciais da Europa, caiu 0,70%, interrompendo dois dias consecutivos de ganhos. Londres recuou 0,94%, Frankfurt caiu 0,96%, Paris perdeu 0,06%, Milão caiu 0,33% e Lisboa recuou 0,44%. Apenas Madri apresentou desempenho positivo, com alta de 0,29%.
Na Ásia, as bolsas fecharam em alta, impulsionadas pelo otimismo com inteligência artificial após resultados positivos do Alibaba, uma das maiores empresas de tecnologia da China. O índice de Xangai avançou 0,32%, enquanto o CSI300 fechou em alta de 0,45%. Em Hong Kong, o Hang Seng ganhou 0,61%. Outros mercados registraram ganhos mais expressivos: o Nikkei, do Japão, saltou 2,87%, e o Kospi, da Coreia do Sul, disparou 5,04%.
O cenário global permanece extremamente sensível aos desenvolvimentos geopolíticos no Oriente Médio, com os mercados financeiros monitorando de perto qualquer nova escalada que possa afetar o preço da energia e, consequentemente, as projeções inflacionárias em economias ao redor do mundo.



