Dólar cai após decisão da Suprema Corte e nova tarifa global de Trump
Dólar cai após decisão judicial e nova tarifa de Trump

Dólar em queda após decisão histórica da Suprema Corte norte-americana

O dólar apresentou significativa desvalorização nesta segunda-feira (23), com investidores acompanhando atentamente os desdobramentos da nova ofensiva comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A moeda norte-americana registrava perdas de 0,52% às 12h27, sendo cotada a R$ 5,148, caminhando para renovar a mínima em quase dois anos no mercado brasileiro.

Decisão judicial derruba tarifas anteriores de Trump

A Suprema Corte dos Estados Unidos considerou, na sexta-feira, que as tarifas impostas pelo governo Trump são ilegais, com placar de seis votos a três. Os juízes discordaram que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, criada em 1977 para situações de emergência, concedesse ao presidente o poder de aplicar sobretaxas a todos os países sem aprovação do Congresso.

Esta derrota representa um duro golpe econômico e político a uma das iniciativas mais emblemáticas do segundo mandato de Trump. Além de perder capital político, os Estados Unidos podem ser obrigados a devolver mais de US$ 175 bilhões (R$ 912 bilhões) em arrecadação tarifária, segundo cálculos de economistas do Penn-Wharton Budget Model.

Nova tarifa global de 15% anunciada por Trump

Irritado com a decisão judicial, o presidente norte-americano ordenou imediatamente uma tarifa de 15% utilizando outra legislação, a Seção 122 de 1974. A cobrança começa nesta terça-feira (24) e atinge todos os produtos importados pelos Estados Unidos.

"Eu, como presidente dos Estados Unidos da América, irei, com efeito imediato, aumentar a tarifa mundial de 10% sobre países, muitos dos quais têm 'roubado' os EUA durante décadas, sem retaliação (até eu chegar!), para o nível totalmente permitido e legalmente testado de 15%", escreveu Trump em publicação na rede Truth Social.

Impactos no mercado financeiro brasileiro

Enquanto isso, a Bolsa de Valores brasileira marcava queda de 0,46%, a 189.640 pontos, apesar da disparada de 2% das ações da Petrobras, na esteira da alta do petróleo no exterior. A valorização do Brent, referência global do petróleo, avançava 1% na Bolsa de Londres, cotado a R$ 72 por barril.

No Brasil, a queda do dólar vem da perspectiva de que a nova tarifa de 15% pode ser benéfica ao país. Uma análise do órgão independente de monitoramento comercial GTA (Global Trade Alert) constatou que o Brasil terá a maior redução nas taxas tarifárias médias, caindo 13,6 pontos percentuais, seguido pela China com redução de 7,1 pontos percentuais.

Análises de especialistas sobre o cenário

Higor Rabelo, especialista e sócio da Valor Investimentos, comenta que "o que começou como muito positivo, até eufórico, logo virou para cautela". Ele explica que "Trump reagiu rápido e manteve a política tarifária amparada em ferramentas diferentes, o que dificulta que a Suprema Corte impeça novamente o tarifaço".

André Perfeito, economista da Garantia Capital, destaca que "o câmbio mais uma vez segue a perspectiva já descrita: para além da ótica do dólar mais fraco, o real se aprecia na esteira das commodities". Segundo ele, "esta realidade das commodities que se impõe contra o dólar e o Brasil é profundamente ligado ao mundo das matérias básicas".

Contexto das taxas de juros e perspectivas

O boletim Focus publicado pelo Banco Central nesta segunda-feira mostrou que a mediana das projeções para a Selic no fim deste ano foi revisada de 12,25% para 12,13%. Atualmente a taxa básica de juros brasileira está em 15% ao ano, e para os economistas consultados no Focus, o ciclo de cortes começará em março, com redução de 0,5 ponto percentual.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses. Mesmo com a perspectiva de corte, o diferencial segue atrativo, considerando que a Selic deve permanecer em dois dígitos ao longo dos próximos anos.

Por parte dos Estados Unidos, as expectativas de que o Federal Reserve mantenha a taxa na banda de 3,5% e 3,75% têm crescido à luz das incertezas comerciais e geopolíticas, incluindo as tensões com o Irã sobre seu programa nuclear.